Sabesp anuncia mudança na medição da água em condomínios

SÃO PAULO - Uma das maiores reclamações de moradores de condomínio, a divisão igual de conta de água dos apartamentos, pode estar próxima do fim em São Paulo. A partir desta terça-feira, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) possibilita aos 364 municípios paulistas a medição individualizada da água. A regra é simples: quem consome mais, paga mais.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

A instalação do hidrômetro individual, porém, não é imediata e pode custar caro ao consumidor. De acordo com informações da Sabesp, o Edifício Nova Imagem, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), localizado em Francisco Morato, na grande São Paulo, instalou o sistema e o custo ficou em torno de R$ 750,00 por apartamento. No prédio, onde há 16 apartamentos distribuídos em quatro andares, moram 70 pessoas.

Apesar do valor alto, o síndico do edifício Nova Imagem, Joaquim Mozar, de 58 anos, acha que o investimento valeu à pena. A gente tinha muito problema. Todos os moradores reclamando da conta alta, disse. Mozar conta que procurou a Sabesp depois de perceber que a empresa que recebia o pagamento da conta não repassava o dinheiro à companhia. Eu liguei pra Sabesp e eles me indicaram algumas empresas. A instalação foi feita por um engenheiro e nós estamos pagando R$ 750,00 dividido em 12 parcelas, afirmou.

A implantação do sistema não é obrigatória e seu custo varia de acordo com o edifício, como explica Eric Carozzi, superintendente técnico da Sabesp. "Se o prédio é novo, já faz a implantação desde o projeto. Se é velho, tem que reformar a parte hidráulica". Não basta apenas um morador pedir a medição individual, é necessário que todos os condôminos cheguem a um acordo para que o sistema seja instalado em todos os apartamentos. Conforme a Sabesp, os interessados devem procurar um profissional cadastrado pelo programa PróAcqua, que seguirá as normas técnicas especificadas pela companhia de saneamento.

No entanto, nem sempre a mudança é vantajosa, como admitiu o diretor metropolitano da Sabesp, Paulo Massato: Teoricamente todo prédio pode ser adaptado, mas vai pesar o custo da implantação. Em alguns casos o custo pode ficar tão alto que não vale a adaptação.  O condomínio que optar por este novo sistema terá que arcar com todas as despesas de adequação e manutenção. A cargo da companhia, ficam apenas a leitura, faturamento e emissão da conta.

A medição individualizada já funciona em alguns condomínios de São Paulo. No entanto, segundo a Sabesp, a principal mudança é que a conta será cobrada diretamente do usuário e só ele poderá ter o abastecimento suspenso. Hoje, nos casos de inadimplência, o condomínio é obrigado a arcar com a fatura, caso contrário, corre o risco de ter a água de todo o prédio cortada. Hoje quando alguém não paga é rateado. A inadimplência é em torno de 2% do total e a expectativa é de haver redução de 20 a 30%, afirmou o presidente da Sabesp, Gesner Oliveira.

Para Oliveira, a medição individual é uma forma de prêmio para quem economizar. Hoje o sujeito que economiza pode se sentir otário porque tem que pagar a mesma coisa que os outros, disse. A instalação do sistema por si só, porém, não garante economia, já que ela dependerá da mudança nos hábitos dos usuários. "Em pesquisa na Escola Politécnica a economia variou de 15 a 20%", afirmou Orestes Gonçalves, presidente do Centro de Desenvolvimento e Documentação da Habitação e Infra-Estrutura Urbana (Cediplac) e professor da USP. "A medição é um elemento importante para a redução porque o usuário aumenta o domínio sobre seu consumo", acrescentou.

Contrário ao sistema, o presidente da Associação Brasileira de Condomínios, Sindícos e Empresas (ABRACOND), Alfredo Mameffi, defende a divisão da conta pelo número de moradores de cada apartamento. O que funciona é cobrar por pessoas. A Sabesp cadastra as empresas, mas isso não garante a eficiência delas, disse. Fica a novidade enganosa. Conheço quatro condomínios que fizeram a individualização da água, mas foi difícil e eles ficaram com um equipamento que não funciona, afirmou.

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