Sabatina para aprovar indicação de Múcio vira sessão de homenagens no Senado

BRASÍLIA ¿ Apesar do início atrasado em quase uma hora, a sabatina do ministro das Relações Institucionais da Presidência da República, José Múcio Monteiro Filho (PTB), para a vaga no Tribunal de Contas da União (TCU) na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado ganhou contornos de homenagem em vez de questionamentos, como se espera de um evento como este. ¿Não vai haver votação, vai haver consagração¿, definiu o senador Valter Pereira (PMDB-MS).

Camila Campanerut, repórter em Brasília |

Por quase unanimidade, com 25 votos a favor e um contra, a sessão conseguiu lotar a sala e atrair o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para participar como ouvinte.

O parecer do presidente nacional do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE), relator da CAE foi favorável à indicação do ministro para uma vaga no TCU, para a cadeira do ministro Marcos Vilaça, aposentado compulsoriamente ao completar 70 anos. O conhecimento real da administração pública é requisito real e neste sentido o currículo dele é mais que convincente, alegou Guerra.

Agência Senado
José Múcio Monteiro e Michel Temer durante reunião
A presença de Múcio conseguiu a proeza do consenso fácil entre oposição e situação. O tucano Flexa Ribeiro (PA) ressaltou que o que se viu nesta terça-feira não é comum. Para Ribeiro, a política brasileira perde um grande político, mas a população ganha um membro legítimo do TCU. O que existe aqui são os amigos do ministro vindo aqui para homenageá-lo, afirmou.  

Os senadores Fernando Collor (PTB-AL), Eduardo Suplicy (PT-SP) e Gim Argello (PTB -DF) também cobriram Múcio de elogios. Brasileiro com B maiúsculo, Homem com H maiúsculo, e um político com P maiúsculo", definiu Argello.

Na avaliação do líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), a sessão de hoje foi uma festa.Vai atender naquilo que é possível atender. Vai ser, o que sempre foi, um conciliador, prevê Agripino. 

Múcio agradeceu a forma carinhosa como foi tratado: o que mostra de forma exemplar o convívio dos contrários [na Casa], e afirmou que este momento é tudo para a vida de um político.

O ministro poderá ficar no cargo por até nove anos, uma vez que o convite foi feito após Múcio completar 61 anos de idade. Agora, a indicação de Múcio será submetida à votação secreta no plenário do Senado.

Quem é José Múcio Monteiro

Nascido em Pernambuco, José Múcio Monteiro é ministro da Relações Institucionais desde novembro de 2007, quando substituiu Walfrido dos Mares Guia (PTB-MG). Mares Guia pediu demissão após ser acusado de envolvimento em esquema de desvio de verbas públicas para financiamento da campanha do senador Eduardo Azeredo e do empresário Clésio Andrade, ao governo do Estado de Minas Gerais, em 1998.

Múcio é deputado federal afastado, com mandato até fevereiro de 2011, no quinto mandato consecutivo. Ele ocupou a liderança do governo na Câmara dos Deputados até 2007. Foi presidente do PFL, onde ficou até 2001, quando trocou a legenda pelo PSDB, e em 2003 filiou-se ao PTB.

A carreira política teve início na cidade de Rio Formoso, em Pernambuco como vice-prefeito de 1976 a 1982, pelo PDS. Em 1982, foi eleito prefeito da cidade. 

Mais sabatina

O advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli, indicado para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) para substituir o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, que morreu em 1º de setembro, também será sabatinado no Senado no próximo dia 30 na Comissão de Constutuição e Justiça (CCJ). Nesta quarta-feira, o senador Francisco Dornelles (PP-RJ) deve apresentar um relatório sobre a indicação.

A expectativa na Casa Legislativa, no entanto, é de que a sessão seja menos tranquila que a de Múcio, devido a denúncias recentes atribuídas a Toffoli, mesmo depois da suspensão de uma condenação na Justiça do Amapá. Toffoli teria de devolver R$ 420 mil aos cofres públicos pela acusação de firmar um contrato com o governo do Amapá para representar o Estado nos tribunais superiores em Brasília.

Segundo o senador do DEM Demóstenes Torres (PI) ele irá pedir uma cópia da condenação e do recurso apresentado pela defesa de Toffoli para a análise dos membros da CCJ. "É importante que esse material sirva de consulta", alegou.  

No início, os questionamentos à indicação focavam na pouca idade do advogado, 41 anos, e na ligação com o PT ¿ partido em que atuou como advogado nas campanhas eleitorais de 1998, 2002 e 2006. 

Assim como Múcio, a confirmação da indicação de Toffoli sairá após a votação em plenário do Senado.

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