O candidato do PSOL à Prefeitura de São Paulo, Ivan Valente, disse hoje que, se for eleito, terá uma relação respeitosa com a Câmara de Vereadores e que evitará o fisiologismo. Vamos respeitar todos os representantes do povo, mas não vamos aceitar chantagem e nem que o fisiologismo vire a marca da relação.

Ou seja, não vamos aceitar que a Câmara vire um balcão de negócios", disse ele, durante sabatina no Grupo Estado .

Valente negou que é preciso que a maioria dos vereadores pertença à base aliada para que seja possível governar. Ele admitiu que a tarefa se torna mais difícil, mas citou os casos dos petistas Telma de Souza e Antonio Palocci, que governaram as cidades de Santos e Ribeirão Preto tendo pouquíssimos vereadores do partido na Câmara, mas que evitaram o fisiologismo. Ao comentar o caso da gestão de Luiza Erundina na capital paulista, que passou pela mesma situação, ele disse que após a mobilização do PT, "os vereadores fisiológicos fugiram pela garagem da Câmara".

O candidato disse que a questão do transporte e do trânsito na capital paulista é muito complexa e que chegou ao colapso. "Certamente a cidade chegou a um colapso, e para situações como essa, quem disser que tem uma solução imediata não está falando a verdade", declarou. Ele afirmou que sua proposta é aumentar os subsídios para o transporte público para que, gradativamente, a tarifa chegue a zero. Questionado sobre a origem dos recursos para executar esse projeto, ele respondeu que será utilizado dinheiro do orçamento e do aumento da arrecadação da cidade. "A Ponte Estaiada custou R$ 320 milhões, e não é um modal de transporte efetivo para a cidade. É mais um instrumento de valorização comercial e até cenário para rede de TV", ironizou.

Ao falar sobre saúde, o candidato disse que sua proposta é "cumprir a lei e implementar imediatamente o SUS em São Paulo". "Temos que acabar com essas siglas PAS, SIM", alfinetou, em referência às propostas dos candidatos Paulo Maluf (PP) e Geraldo Alckmin (PSDB), respectivamente. Valente disse ainda que a iniciativa privada terá função apenas complementar nessa área. "O que está havendo em São Paulo é uma terceirização forçada e a privatização da saúde", criticou, em referência às AMAs implantadas pelo atual prefeito e candidato Gilberto Kassab (DEM). "Na nossa gestão, quem vai gerenciar a saúde é o município."

Em relação à educação, Valente criticou a ex-prefeita e candidata Marta Suplicy (PT), que reduziu os gastos com educação de 30% para 25% do orçamento municipal, medida mantida pela atual gestão. "Nossa primeira medida é retornar aos 30%", prometeu. "Tenta-se confundir a população ao dizer que dar uniforme e merenda e calçar as ruas próximas das escolas é gastar com educação", criticou. Além disso, Valente disse que irá erradicar o analfabetismo e elevar a qualidade do ensino público, reduzindo o número de alunos por sala de aula e promovendo formação adequada para os professores.

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