O candidato a prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PMDB) esclareceu durante sabatina ao Grupo Estado que nunca defendeu as milícias, mas entende que os grupos paramilitares mostram que é possível aos policiais retomar as áreas da cidade que foram tomadas pelos traficantes. Ele contou que deu uma entrevista à TV Globo sobre o assunto em 2006, quando concorria ao cargo de governador do Rio pelo PSDB.

O episódio deu origem a mensagens na internet como se estivesse defendendo as milícias. "Acho que agir dentro da lei não constrange ninguém. Existe a possibilidade de dentro da lei se fazer valer a presença do Estado e a soberania no espaço geográfico", argumentou.

Ele comentou que o problema da segurança no Rio é histórico. "Ninguém vai resolver essa situação em curto espaço de tempo", declarou. E defendeu a política de segurança do seu padrinho político atual, o governador Sérgio Cabral (PMDB), que tem intensificado a ação policial no Estado, ressaltando, contudo, que ainda existe despreparo por parte da polícia, o que tem aumentado o número de mortos. Caso seja eleito, ele disse que vai usar a Guarda Municipal em policiamento ostensivo, em colaboração com as forças de segurança estaduais para liberar as polícias para outras atividades, inclusive para treinamento.

Paes voltou a criticar o atual prefeito Cesar Maia, do DEM, sem citar seu nome, ao sugerir que ele se omite na questão da segurança. "Eu, prefeito do Rio, vou acabar com esse jogo de empurra, de dizer que não tenho nada com isso, que segurança é com o governador", afirmou. Pela Constituição, a segurança é uma responsabilidade principalmente do governo estadual e, também federal. De acordo com ele, a Cidade da Música, obra da gestão de Cesar Maia, é uma mostra de "megalomania". Ele evitou, porém, dizer quem é o megalômano.

Exército

Paes encerrou sua participação na série de sabatinas do Grupo Estado com os candidatos ao cargo enfatizando a questão da segurança. "Não acho que o Exército resolve não", disse ele, acrescentando que entende também que não se pode dispensar ajuda. "Torço para que todo auxílio que venha, permaneça", disse. Ele observou que não tem tido problemas de acesso a locais em sua campanha, mas disse saber que esses problemas ocorrem. "A gente sabe que tem milícia, não estou negando não", afirmou.

Paes também disse ainda que, se eleito, "novas ocupações de terra não serão admitidas no Rio de Janeiro", mas disse também que as comunidades já existentes vão receber infra-estrutura e quer apoio do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) para isso. Ele defendeu o uso do fundo de habitação de interesse social, de iniciativa do governo federal e estabelecido em parcerias com Estados e municípios, para a área de habitação. Também destacou a importância da política de transportes, onde defende a adoção do bilhete único, para que as pessoas possam morar em locais como Bangu, na zona oeste, onde há pouca atividade econômica e muitos moradores trabalham longe de suas residências.

A série de sabatinas do Grupo Estado está sendo realizada na sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Já foram sabatinados os candidatos Marcelo Crivella (PRB) e Alessandro Molon (PT). Amanhã será a vez de Fernando Gabeira (PV). De quarta a sexta-feira, participarão Solange Amaral (DEM), Chico Alencar (PSOL) e Jandira Feghali (PC do B).

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