Sabatina Estadão: Marta nega ter infringido lei fiscal

A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, afirmou hoje que não descumpriu a Lei de Responsabilidade Fiscal quando governou a cidade, entre 2001 e 2004, e que deixou a cidade com R$ 1 bilhão em caixa. Eu não infringi a lei, quero deixar isso bem claro.

Agência Estado |

Tive as contas aprovadas pelo Tribunal de Contas, pela Câmara, mas, mais importante que tudo isso, tive o processo arquivado no Supremo Tribunal Federal (STF). Entreguei a cidade melhor que recebi, com superávit e dinheiro em caixa", afirmou, ao participar da primeira das sabatinas que o Grupo Estado promove com os candidatos que concorrem à Prefeitura da capital paulista.

"Isso para mim é página virada. Mas a propaganda contra que José Serra (então prefeito e atual governador do Estado) fez (contra sua administração) foi tão forte que as pessoas acreditaram. Tanto tinha recurso que tinha R$ 1 bilhão em caixa. Não precisava ter feito aquele carnaval que ele fez", acrescentou. Marta declarou que Serra (PSDB) poderia ter renegociado contratos da gestão anterior, mas que não poderia ter deixado de pagar as empresas que prestaram serviços à Prefeitura. "Poderia ter renegociado contratos, poderia, mas teria que ter pago. Teve gente que quebrou, foi à falência. Foi algo absolutamente político", disse.

Marta disse que Serra fez as acusações porque não tinha um projeto para a cidade quando venceu as eleições municipais de 2004. "Não fez, não porque não tinha dinheiro, mas porque não tinha plano e não queria fazer o que nós tínhamos deixado engatilhado." Questionada sobre os processos que correm contra ela na Justiça, Marta destacou que todo administrador público é processado, mas que em seu caso trata-se de processos administrativos movidos por vereadores da oposição. "Não tem nenhum de corrupção", ressaltou.

A candidata do PT disse que não tem preferência sobre o adversário que poderá enfrentar num eventual segundo turno. "Adversário a gente não escolhe, enfrenta. Não dá para escolher", limitou-se a dizer. Questionada sobre se aceitaria um eventual apoio do ex-prefeito Paulo Maluf (PP) no segundo turno, respondeu que considera a situação difícil. "Todo enfrentamento que tive do Maluf impossibilita uma proximidade, eu acho que ali é muito difícil", concluiu.

Renegociação da dívida

A candidata do PT disse que ainda não pensou numa eventual renegociação da dívida do município com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu maior aliado na campanha eleitoral. "Acho muito difícil renegociação de dívida", disse ela, destacando que na ocasião em que foi prefeita da capital paulista tentou uma renegociação com o ex-presidente Fernando Henrique e com o próprio Lula, mas ouviu dos dois que qualquer renegociação com São Paulo teria reflexos em outros municípios. Apesar da afirmação, ponderou que a situação hoje no Brasil é diferente e que deverá conversar com o presidente Lula e com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para ver se é possível uma eventual renegociação.

Durante a sabatina, Marta defendeu uma integração maior entre os municípios, destacando que a região metropolitana de São Paulo "é o coração do Brasil". Na sua avaliação, não é possível governar a cidade sem uma conversa com os administradores das cidades vizinhas. E avaliou como um sinal positivo o fato de o seu partido, o PT, estar com boas chances de vencer o pleito para as prefeituras de cidades importantes. "Isso facilita", destacou, fazendo a ressalva de que é preciso conversar caso o PT ganhe ou não eleições em municípios vizinhos.

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