A candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, mirou hoje, durante sabatina do Grupo Estado , suas críticas no prefeito e candidato à reeleição pelo DEM, Gilberto Kassab. Ela disse que a situação da cidade lhe causa muita tristeza e classificou a administração iniciada pelo atual governador do Estado, José Serra (PSDB), como sem gestão e sem planejamento.

"Quando você percebe o que a cidade poderia ter caminhado e não caminhou, dá muita tristeza."

A petista lamentou, por exemplo, ter deixado a cidade "com tudo para ter um transporte fantástico" e a situação "ter degringolado". "Podia ter a cidade inteirinha com Centros de Ensino Unificado (CEUs), mas ainda estamos patinando na inauguração dos primeiros", disse. "Vejo a cidade parada, sem idéia de futuro". A candidata do PT deixou clara sua certeza de que haverá um segundo turno para definir as eleições. "Adoraria (ganhar em 1º turno), mas acho que não é possível."

A ex-prefeita devolveu a Kassab a responsabilidade pelas "escolas de lata". "Falo com o maior prazer sobre isso. Quem fez as escolas de lata foram Kassab e Celso Pitta", disse, referindo-se ao período em que o prefeito foi secretário de Planejamento de Pitta. "Deixamos todas as escolas em processo de construção de prédios de alvenaria, mas Kassab demorou muito para fazê-las (quando prefeito), como aconteceu com tudo o que fez."

Marta acusou o prefeito de maquiar os CEUs ao diminuir o tamanho dos teatros de 450 lugares para 180. "Fico muito indignada. É maquiagem. Não é de verdade. A parte cultural dos CEUs foi para o brejo". Ela acusou Kassab ainda de má-fé ao comparar sua gestão com a dela. "Acho equivocado, para não dizer de má-fé, comparar o que recebi e o que deixei com o que eles receberam e o que fizeram", disse em referência a situação financeira que herdou de Pitta.

Questionada sobre o que achava de Kassab estudar usar na campanha a expressão "relaxa e goza", dita por ela quando ministra do Turismo, Marta declarou: "Quem apela para isso é porque está muito acuado". Apesar de classificar a possibilidade como "baixaria", a petista não descartou usar em sua campanha o acidente nas obras do Metrô, no ano passado, para atacar o adversário do PSDB, Geraldo Alckmin. "Uma coisa é uma frase infeliz de uma ministra do Turismo que queria que as pessoas não desistissem de viajar, a outra é um planejamento mal feito no Metrô, que causou enorme distúrbio e vítimas."

A cada promessa apresentada, a candidata se referia ao bom orçamento da cidade que pretende herdar de Kassab. Questionada se atribuía as finanças à boa gestão do atual prefeito da cidade, tergiversou: "É um salto que todos os municípios estão tendo. É principalmente fruto da política econômica de Lula."

Emoção

Ao ser convidada a assumir o compromisso de não deixar a Prefeitura, se eleita, para concorrer nas eleições de 2010, Marta negou que essa fosse sua "expectativa". "Quando fui cogitada pelo partido para sair prefeita, eu já tinha virado a página. Foi muito sofrido ter perdido a eleição", disse, com a voz embargada. "Tive que fazer um trabalho muito grande para aceitar ser candidata de novo". A candidata havia se emocionado também ao visitar uma aldeia indígena.

Marta contou que o momento decisivo para que ela resolvesse se candidatar à Prefeitura foi um dia de trânsito intenso em São Paulo. "Um dia levei 1h30 do Aeroporto de Congonhas até a minha casa, perto da Avenida Faria Lima. E pensei: é muita incompetência. Eu sei fazer e vou fazer."

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