A questão da segurança é a mais importante do ponto de vista estratégico para a cidade do Rio de Janeiro e, apesar de não ser uma responsabilidade do município, é fundamental que a prefeitura trate dela, defendeu o entrevistado de hoje na série de sabatinas do Grupo Estado com candidatos a prefeito do Rio, Fernando Gabeira (PV). Gabeira considera equivocada a política de segurança atual, que, lembrou, é baseada no confronto.

"O confronto deve ser só um elemento", disse. "Às vezes, o confronto pode existir. Mas não é o principal. Se você quer libertar uma comunidade e mata duas ou três pessoas com bala perdida, a operação fracassou", disse ele, para quem a maioria das operações policiais no Rio "é fracassada".

De acordo com ele, tratar de segurança na campanha para prefeito não é demagogia. "Segurança é uma questão vital. Se não resolver o problema da segurança, não vai gerir a cidade adequadamente. Como pode haver uma cidade em que o prefeito não pode entrar em determinadas áreas?", disse. Para ele, "a violência passa a ser um processo que inibe o crescimento e tem que ser enfrentado". Para o candidato, uma reforma adequada da polícia, que depende do governo do Estado, dependerá da Força Nacional e do Exército, "para cobrir a própria reação que virá da polícia".

Gabeira defendeu o uso da inteligência, a disponibilização de informações da prefeitura para as polícias estadual e federal, a presença das três esferas do governo nas áreas carentes e lembrou que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) federal tem essa filosofia da presença. Também disse querer utilizar um princípio do programa Tolerância Zero, usado em Nova York, "de que o que for quebrado deve ser consertado e que áreas sujas atraem delinqüentes". Para Gabeira, "o Rio é uma cidade suja". Ele defendeu melhor limpeza, iluminação e sinalização. Ele foi contra a adoção do Tolerância Zero completo no Rio, argumentando que certos aspectos do programa como algumas detenções e prisões podem ser inadequadas para a cidade.

Moradores de Rua

No caso dos moradores de rua, Gabeira entende que o melhor modelo é o das Casas de Passagem, em que os moradores de rua podem ir para tomar banho, alimentar-se e conversar. Segundo Gabeira, a partir desses contatos se pode reintegrar essas pessoas à sociedade, procurar trabalho para elas ou ajudá-las a voltar para suas cidades de origem.

De acordo com ele, a tática atual da prefeitura "é errada" e consiste em levar as pessoas de rua para determinadas instituições que elas não gostam, por isso voltam para as ruas. Gabeira disse ainda que Bogotá, na Colômbia, e Nova York, nos Estados Unidos, conseguiram controlar os problemas sérios que tiveram com a criminalidade em boa parte porque a segurança nesses locais era atribuição das cidades.

A série de sabatinas do Grupo Estado com candidatos à prefeitura do Rio, que já teve as participações de Marcelo Crivella (PRB), Alessandro Molon (PT) e Eduardo Paes (PMDB), segue amanhã com Solange Amaral (DEM). Na quinta será sabatinado Chico Alencar (PSOL) e, na sexta, Jandira Feghali (PCdoB).

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