O convidado de hoje da série de sabatinas do Grupo Estado com candidatos a prefeito do Rio, Fernando Gabeira (PV), entende que não se deve permitir o crescimento das favelas. Ele defende, por exemplo, um trabalho de conscientização da população para que não haja ocupação irregular e que sejam seguidos ecolimites, como monitoramento por satélite via Google (referindo-se a serviço gratuito pela internet).

"Eu considero isso humanismo porque pessoas em favelas estão construindo bomba de efeito retardado", disse. "No meu entender, o populismo carioca que fortaleceu o crescimento das favelas com o argumento que as pessoas têm o direito de morar não importa onde é um falso humanismo", disse.

Segundo Gabeira, a destruição da paisagem em uma cidade turística como o Rio de Janeiro significa menor oportunidade de geração de empregos. Ele defendeu a construção de habitações populares e a implantação de um sistema de redirecionamento de migrantes para suas cidades de origem, se elas quiserem. "Às vezes, o humanismo pode não parecer humanismo em uma visão imediata", disse. Para coibir os "flanelinhas", pessoas que oferecem seus serviços para olhar os carros estacionados informalmente, Gabeira defendeu que onde existir lugar de estacionamento público, que isso seja feito por empresas licitadas pela Prefeitura.

Funk

O candidato disse que quer "colocar em debate a posição do funk". Os bailes do ritmo musical nas favelas cariocas são tidos como locais de tráfico de drogas. "Estamos jogando esses meninos para o controle dos traficantes de drogas, quando existe uma demanda turística mesmo de conhecer o circuito de funk carioca", afirmou. De acordo com ele, "hoje a posição em relação ao funk é equivocada". Ele pretende, se eleito, organizar e dar outro tratamento para os artistas e fãs de funk. "A idéia da cidade partida precisa ser combatida com a idéia de que a cidade precisa se unir e a cultura é fundamental nesse sentido", afirmou.

Gabeira, que historicamente defendeu a legalização da maconha, voltou a falar do assunto. Comentou que, em outros países, essa legalização permitiu liberar a polícia para tratar de outros assuntos considerados mais graves. Disse também que na Holanda não há uma liberalização geral e que tudo o que se passa nos coffee-shops, onde as drogas são vendidas, é filmado e há fiscalização.

O candidato também disse ser defensor da liberdade religiosa e afirmou não ter problemas com as diferentes igrejas. "O peso da Igreja Católica ou de qualquer igreja torna-se decisivo quando você desrespeita a religião. A religião católica nunca prejudicou minha campanha, nem os evangélicos", afirmou. Ele lembrou, porém, do ex-deputado Bispo Rodrigues, envolvido nos escândalos de corrupção do mensalão e dos sanguessugas, para dizer que o único problema que teve com os evangélicos foi ter sido relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Sanguessugas, em que pesavam acusações contra evangélicos.

Gabeira dedicou os momentos finais da sabatina de hoje à educação. Entre outras propostas, disse que acabaria com a aprovação automática, o que também foi defendido pelos demais candidatos que já passaram pela série de Sabatinas do Grupo Estado - Marcelo Crivella (PRB), Alessandro Molon (PT) e Eduardo Paes (PMDB). As sabatinas no Rio estão sendo realizadas na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) das 11h às 13h. A série segue amanhã com Solange Amaral (DEM). Na quinta será sabatinado Chico Alencar (PSOL) e, na sexta, Jandira Feghali (PCdoB).

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