Por Eduardo Simões SÃO PAULO (Reuters) - Empresas brasileiras podem tornar-se fornecedoras do caça Gripen NG, fabricado pela sueca Saab e um dos finalistas no programa que escolherá o novo caça de multiemprego da Força Aérea Brasileira (FAB), disseram nesta quinta-feira executivos da companhia, que vieram ao país para encontros com autoridades brasileiras.

Segundo eles, o Gripen NG é um caça em desenvolvimento e ainda não foram escolhidos todos os fornecedores, o que abriria espaço para que empresas brasileiras forneçam componentes e para a criação de parcerias locais para produção e exportação da aeronave.

"Teremos que escolher fornecedores (para o Gripen NG) de todo modo, e as empresas brasileiras podem tornar-se fornecedoras", disse Bob Kemp, vice-presidente de vendas internacionais da Saab.

"E poderemos ter fornecedores brasileiros em nosso sistema... voando no Brasil, na Suécia e em outros lugares em que vencermos concorrências também."

O Gripen NG é um dos finalistas do Programa F-X2, da FAB, que prevê a compra de 36 caças para substituir a frota atual. O F-18 Super Hornet, da norte-americana Boeing, e o Rafale, da francesa Dassault, também estão na disputa. A FAB informou que seu cronograma prevê o anúncio de um vencedor até outubro.

Sem revelar valores sobre a oferta sueca, o presidente-executivo da Saab, Ake Svensson, garantiu que a proposta feita pela companhia ao governo brasileiro prevê um "pacote de financiamento do governo sueco".

"Não podemos entrar nos detalhes financeiros, porque isso é parte da competição, mas existem linhas de crédito para exportação que a Suécia pode oferecer. O governo sueco tem dado muito apoio na elaboração de um pacote completo de financiamento para esse programa", disse.

TECNOLOGIA-CHAVE

Os executivos suecos procuraram também afastar temores com relação à transferência de tecnologia, um dos pilares fundamentais estabelecidos pelo governo brasileiro na aquisição de novos equipamentos militares.

A Saab já escolheu a fabricante norte-americana General Electric como fornecedora do motor do Gripen NG, o que, para críticos da proposta sueca, pode complicar a transferência de tecnologia, pois o governo dos Estados Unidos teria ingerência na eventual negociação de componentes feitos no país.

"Não acho que o motor seja o componente mais crítico na concessão de uma licença de exportação", disse Svensson. "Não prevemos problemas com essa questão", acrescentou.

"A tecnologia-chave... as coisas que realmente importam, nós controlamos", complementou Kemp.

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