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Ruth Cardoso: uma primeira-dama ¿singular¿, ¿militante¿ e com luz própria

BRASÍLIA - Ruth Cardoso, que morreu na noite desta terça-feira, inaugurou no País um ¿estilo¿ novo de primeira-dama: uma mulher de presidente da República com personalidade independente e ¿luz própria¿, características raras até no cenário mundial, de acordo com analistas.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |

Antes do governo Fernando Henrique Cardoso, Ruth Cardoso já era consagrada como antropóloga e, durante o governo tucano, levantou bandeiras como o combate ao analfabetismo.

Para o cientista político Octaciano Nogueira, o fato de Dona Ruth ter se notabilizado como uma intelectual antes de ser primeira-dama fez dela uma personalidade independente do marido.

Não se conhece uma primeira-dama com um perfil desses. Além do mais, na Presidência da República teve uma atuação também independente, na medida em que comandou o programa Comunidade Solidária, que foi ela que fez. A ação deu a ela um trâmite muito bom em todas as áreas além do meio acadêmico, mas era extremamente discreta, elogiou o cientista político e autor de vários livros sobre a história da República brasileira.

Outra cientista política, Lúcia Hippólito tem a mesma avaliação. Nunca houve na história deste País uma primeira-dama como a Dona Ruth. Sempre teve carreira própria, teve luz própria, era antropóloga consagrada, professora conhecida, comentou a analista.

Lúcia Hippólito acrescentou que a mulher do ex-presidente Fernando Henrique destoou até mesmo do padrão internacional. O modelo de primeira-dama não é esse. Nesse perfil só conheço a Rayssa Gorbachev [mulher do ex-presidente da União Soviética, Mikhail Gorbatchev], que era geógrafa e tinha uma vida autônoma, e a Hillary Clinton, que antes de ser primeira-dama dos Estados Unidos era apontada como integrante da lista dos 500 advogados mais bem-sucedidos nos EUA, observou.

Até mesmo políticos de linha ideológica diferente dos tucanos reconheceram a importância da atuação política e institucional de Ruth Cardoso, como é o caso do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Ex-governador do Distrito Federal na época do governo FHC, além de ex-ministro da Educação e destacado defensor da revolução educacional no Brasil, Cristovam lamentou a morte da ex-primeira-dama.

A marca dela foi a militância competente e a dedicação na luta contra o analfabetismo. Creio que será muito mais lembrada por essa luta do que por ter sido primeira-dama. O fato de ser primeira-dama ajudou em sua ação, mas o fundamental, o que fez diferença, foi a dedicação e competência, ressaltou o senador.

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