um dos maiores pensadores do século XX - Brasil - iG" /

Rússia se despede de Solzhenitsin como um dos maiores pensadores do século XX

O presidente da Rússia, Dimitri Medvedev, prestou homenagem nesta segunda-feira ao escritor Alexander Solzhenitsin, a quem definiu como um dos maiores pensadores, escritores e humanistas do século XX.

AFP |

"A morte desse grande homem, um dos maiores pensadores, escritores e humanistas do século XX, representa uma perda irreparável para a Rússia e para o mundo", afirmou Medvedev em um telegrama enviado à família do ex-dissidente soviético.

O primeiro-ministro e ex-presidente russo Vladimir Putin havia saudado anteriormente o compromisso do autor de "Arquipélago Gulag" com os "ideais de liberdade, justiça e humanismo".

A morte do escritor russo e ex-dissidente soviético Alexander Solzhenitsin é uma "grande perda para toda a Rússia", declarou Vladimir Putin em um comunicado.

Sua morte é "uma grande perda para toda a Rússia. Estamos orgulhosos de que tenha sido nosso compatriota e contemporâneo", ressaltou o primeiro-ministro.

"Lembraremos dele" como uma pessoa de "força, valente, de grande dignidade", acrescentou Putin, saudando o compromisso de Solzhenitsin em favor dos "ideais de liberdade, justiça e humanismo".

Solzhenitsin, que revelou ao mundo as atrocidades dos campos de concentração da era stalinista, morreu domingo em Moscou, aos 89 anos de idade.

O ex-presidente soviético Mikhail Gorbachev também saudou a memória de Solzhenitsin, a quem definiu como um "homem com um destino único" que foi um dos primeiros a "denunciar em voz alta o caráter desumano do regime stalinista".

"Foi uma pessoa com um destino único cujo nome ficará na história da Rússia", disse Gorbachev.

"Alexander Solzhenitsin passou por momentos difíceis como milhões de cidadãos do país", declarou o pai da perestroika à agência russa Interfax.

"Foi um dos primeiros a denunciar o caráter desumano do regime estalinista e um dos que o viveram, mas que não foram quebrados por ele", acrescentou o ex-líder soviético.

No Vaticano, o jornal L'Osservatore Romano, também prestou homenagem ao escritor, descrito como o homem "que combateu o mal".

Em dois longos artigos, o jornal da Santa Sé, assegura que "num século em que tudo foi reduzido à política, com ideologias (nazismo, comunismo) que levaram a uma negação jamais conhecida da humanidade e que fizeram os homens esquecerem de Deus, a obra de Solzhenitsin foi muralha contra essas negações e um caminho para sair dessas tragédias".

"A atualidade das idéias de Solzhenitsin está em sua espiritualidade", frisou o diário.

Alexander Solzhenitsin será enterrado quarta-feira no cemitério do mosteiro Donskoi de Moscou, anunciou um porta-voz da Igreja Ortodoxa Russa citado pela agência Interfax.

"Este lugar de descanso foi escolhido em vida pelo próprio" escritor e autorizado oficialmente pelo patriarca Alexis II, declarou o porta-voz Nikolai Balashov.

Antes, amanhã, terça-feira, o corpo do célebre escritor russo, Prêmio Nobel de Literatura em 1970, que apresentou os gulags ao mundo, será velado na Academia de Ciências de Moscou, onde uma cerimônia de despedida será celebrada, anunciou em Moscou a Fundação Solzhenitsin.

A cerimônia começará às 11h00 locais (04h00 de Brasília) e vai durar todo o dia, indicou um porta-voz dessa Fundação.

O escritor, grande figura da dissidência soviética, morreu na noite de domingo, aos 89 anos, confirmou seu filho Stepan.

Solzhenitsin foi vítima de "uma insuficiência cardíaca aguda", às 23H45 de Moscou (16H45 Brasília), revelou Stepan.

O escritor, com problemas de saúde há vários anos, quase não aparecia em público e preso a uma cadeira de rodas, pouco saía de sua casa em Troitse-Lykovo, a noroeste de Moscou.

Prêmio Nobel de Literatura em 1970, o autor perdeu a nacionalidade soviética em 1974 e foi expulso da URSS. Solzhenitsin viveu então na Alemanha, na Suíça e nos Estados Unidos, antes de voltar à Rússia, em 1994, após o fim da União Soviética.

"Ao final de minha vida, me atrevo a esperar que o material histórico (...) que recolhi entre na consciência e na memória de meus compatriotas", disse Solzhenitsin em 2007, quando recebeu do presidente Vladimir Putin o Prêmio de Estado russo.

"Nossa amarga experiência nacional contribuirá, no caso de novas condições sociais instáveis, para nos prevenir contra outros fracassos", destacou o escritor.

O escritor apoiava as idéias de Vladimir Putin, presidente entre 2000 e 2008 e agora primeiro-ministro, para uma Rússia forte e orgulhosa de si mesma, apesar do passado de Putin na KGB.

"Putin recebeu como herança um país saqueado e de joelhos, com a maior parte da população desmoralizada e na miséria, e iniciou a reconstrução (...) pouco a pouco, lentamente. Estes esforços não têm sido destacados ou apreciados", disse em abril passado sobre o atual premier.

Em 2006, Solzhenitsin acusou a Otan de preparar o "cerco total da Rússia e a perda de sua soberania, ao reforçar metodicamente e com persistência sua máquina militar no leste da Europa".

Putin visitou o escritor em 12 de junho de 2007, para entregar o Prêmio de Estado, a quem "dedicou sua vida à pátria".

"Milhões de pessoas no mundo vinculam o nome e as obras de Alexandre Isáyevich Solzhenitsin ao destino da própria Rússia. Tal como ele disse: A Rússia somos nós. Nós somos sua carne, seu sangue, seu povo", lembrou Putin.

Patriota conhecido por sua força profética e por uma enorme determinação, que lhe permitiu vencer um câncer, o escritor dedicou sua vida à luta contra o totalitarismo comunista.

via/lr/dm/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG