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Rushdie diz que fingiu retorno ao Islã em 1990 para se defender de Khomeini

Londres, 6 abr (EFE).- O escritor de origem indiana Salman Rushdie confessou que em 1990 fingiu seu retorno ao islã para se defender da sentença de morte promulgada pelo aiatolá Khomeini por sua obra Versos satânicos, considerada uma blasfêmia entre os muçulmanos.

EFE |

Em entrevista de TV antecipada hoje pelo jornal britânico "The Sunday Telegraph", Rushdie afirma que, com esta falsa conversão, pretendia reduzir o risco de que algum muçulmano o atacasse em cumprimento da sentença legal que o então líder supremo iraniano emitiu em 1989 pedindo sua execução.

Em comunicado no ano seguinte, Rushdie, nascido na Índia em 1947 e naturalizado britânico, assegurou ter renovado sua fé na religião muçulmana, repudiando os ataques ao islã feitos em seu livro e afirmando estar comprometido em contribuir para uma melhor compreensão da religião.

Porém, em uma conversa com uma psicoterapeuta para um programa do canal britânico "More4", que será divulgada em maio, o autor de "Os filhos da meia-noite" afirma que seu retorno à religião de seu nascimento foi fictício.

"Estava transtornado. Estava mais desequilibrado do que nunca, não se pode nem imaginar sob que pressão estava", explica.

"Pensei simplesmente que estava fazendo uma declaração de fraternidade, mas, logo que disse isto, senti como se tivesse arrancado minha própria língua", declarou Rushdie, que, apesar de ter nascido em uma família muçulmana xiita, nunca se considerou religioso.

Após este momento o escritor sentiu que "tinha chegado ao fundo do poço", se deu conta de que seu único mecanismo para sobreviver era sua "integridade", afirma o jornal.

"Versos satânicos" (1988) foi proibido na Índia e em outros países e exemplares do livro foram queimados nas ruas do Reino Unido, pois supostamente tratavam com irreverência o profeta Maomé.

Durante a entrevista, Rushdie, de 60 anos, assegura que as críticas negativas à obra causaram mais desgosto do que a fatwa - a sentença de morte -, já que tinha passado cinco anos escrevendo o livro e o considerava seu "melhor trabalho". EFE jm/mac/fal

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