Ruralistas e lideranças do setor energético comemoram saída de Marina

BRASÍLIA - Parlamentares da chamada bancada ruralista e ligados ao setor energético afirmaram que a saída de Marina Silva do Ministério do Meio Ambiente pode representar um impulso ao desenvolvimento do País. Apesar de ressaltarem a ¿honestidade¿ e ¿boa fé¿ de Marina, os parlamentares reclamaram do modo como incentivou normas e ações para impedir empreendimentos como hidrelétricas e produção rural.

Rodrigo Ledo ¿ Último Segundo/Santafé Idéias |


Entre todos os entrevistados pelo Último Segundo, houve duas unanimidades em relação a Marina Silva: honesta e trabalhadora, mas com uma ideologia extremamente desfavorável ao crescimento econômico sustentável (desenvolvimento que não agride o meio ambiente).

Agência Brasil
Kátia Abreu comemorou saída de Marina
Sem demagogia, eu tenho admiração pela história e pela luta da ministra, porque tudo o que faz é de boa fé, só que tem componente ideológico fortíssimo e atrapalha o Brasil a crescer, reclamou a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), diretora da Confederação Nacional da Agricultura (CNA), que reúne os maiores empresários do setor rural.

A senadora, que também é empresária, disse que setores importantes como de energia e agrícola sofriam com a quantidade de normas impossíveis de serem atendidas pelos empresários para tocarem seus negócios.

O Ministério do Meio Ambiente não entende que temos o mês de desmatar, arar a terra, semear e colher, e isso não espera o tempo do ministério de emitir a licença ambiental. Quando a licença sai já é hora de colher, atacou Kátia Abreu.

Críticas parecidas foram feitas até por parlamentares da base aliada do governo Lula, como o deputado federal ruralista Nelson Marquezelli (PTB-SP).

Isso era uma queixa comum entre os empresários contra ela e todo o time [assessores] dela. Quando um projeto desagradava, ficava lento ou paralisado. Projeto tem que ser discutido, não pode ser engavetado, criticou, dizendo que a imagem do governo, mesmo no exterior, não ficará abalada pela saída de Marina Silva: Ninguém é insubstituível.

O senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente da Comissão de Meio Ambiente do Senado, foi outro parlamentar aliado a fazer críticas. A ministra é muito dedicada, intensa em seus ideais, mas não conseguiu encontrar equilíbrio entre desenvolvimento sustentável e preservação ambiental.

O deputado federal Arnaldo Jardim (PPS-SP), um dos maiores especialistas em energia do Congresso, embasou. O que os empresários pleiteiam não é o afrouxamento das normas ambientais, mas que as exigências do ministério fossem rapidamente colocadas para cada projeto. Nunca tive nada pessoal contra ela, mas esses processos fizeram o País pagar muito caro, afirmou Jardim, que citou o exemplo recente do projeto da hidrelétrica do Rio Madeira, na Amazônia, como um dos atrasos negativos para o desenvolvimento energético.

Poderia ter as mesmas exigências, porém o processo poderia ter tido respostas mais rápidas e solicitações mais claras, comentou. Ele disse que só irá comemorar a saída da ministra dependendo de quem entrará em seu lugar.

Leia também:

Leia mais sobre: Marina Silva

    Leia tudo sobre: marina silva

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG