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Ruralistas argentinos mostram força

Os ruralistas que há 127 dias estão em pé de guerra com a presidente argentina, Cristina Kirchner, demonstraram ontem grande força política e respaldo popular reunir, no bairro de Buenos Aires de Palermo, entre 250 mil e 300 mil manifestantes para protestar contra a política econômica do governo. Simultaneamente, no centro da cidade, o ex-presidente Néstor Kirchner - apesar de ter mobilizado a máquina do governista Partido Justicialista (peronista), das prefeituras dos municípios da Grande Buenos Aires e da maior parte dos sindicatos - não conseguiu juntar mais de 90 mil simpatizantes, segundo cálculo das autoridades argentinas.

Agência Estado |

Governo e opositores tinham como principal objetivo demonstrar apoio popular para exercer pressão sobre o Senado, que hoje decide se aprova ou não o polêmico projeto de lei de Cristina aumenta os impostos sobre as exportações agrícolas.

"Peço-lhes que ajudem Cristina", apelou Kirchner em seu discurso, depois de listar conquistas de seu governo e do atual, entre elas a redução da pobreza e do desemprego. Ele acusou os ruralistas de "golpismo" e qualificou os agricultores de "comandos civis". "Eles querem destruir o governo", denunciou Kirchner, que também acusou a classe média (que participou de panelaços contra o governo) de ser "manipulada" pela "oligarquia".

Mais de 300 caciques peronistas (entre eles, uma dezena de governadores) escoltaram Kirchner na monumental tribuna na frente do Congresso. O ex-presidente também foi acompanhado pelos líderes de organizações de defesa dos direitos humanos e intelectuais. Kirchner afirmou que o governo respeitará a decisão que o Congresso tomar hoje sobre o projeto de lei "seja ela qual for".

Minutos depois do discurso de Kirchner, do outro lado da cidade, em Palermo, líderes das principais associações ruralistas - Sociedade Rural, Federação Agrária, Confederações Rurais Argentinas (CRA) e Confederação Intercooperativa Agropecuária (Coninagro) - pediram aos senadores que votem contra o projeto de Cristina. Segundo eles, o aumento de impostos (cuja alíquota é variável e progressiva, de acordo com o volume exportado) "esfriará a economia" e levará o setor agrícola à ruína.

"Votem com consciência", apelou um dos ícones do movimento ruralista, Alfredo De Angeli, líder da Federação Agrária da cidade de Gualeguychú.

O líder das CRA, Mario Llambías, olhando para Avenida Libertador - que concentrava uma das maiores manifestações populares realizadas em Buenos Aires desde a volta da democracia, em 1983 -, afirmou, com ironia: "E pensar que (Kirchner) queria nos ver de joelhos!"

Em quatro meses os ruralistas realizaram quatro locautes contra o aumento de impostos de Cristina. O governo negou-se a retroceder e intensificou o confronto. Desde março, a classe média portenha, irritada com a escalada inflacionária e os escândalos de corrupção do governo, aderiu aos protestos ruralistas e os respaldaram com panelaços contra a presidente. A crise desgastou Cristina, cuja popularidade despencou. Em junho, Cristina apostou na solução para o impasse via Parlamento. Mas superestimou seu cacife político e não contou com a deserção de parlamentares governistas. As informações são do O Estado de S. Paulo

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