Rubéola: casos aumentam 151% em São Paulo

Rubéola: casos aumentam 151% em São Paulo Por Fernanda Aranda São Paulo, 10 (AE) - Em um ano, os casos de rubéola aumentaram 21 vezes na capital paulista. Os 45 registros em 2006 saltaram para 966 ano passado.

Agência Estado |

No Estado de São Paulo, o crescimento também foi expressivo no mesmo período, saindo de 66 notificações para 1.659, um acréscimo de 151%. A explosão do contágio é marcada pelo predomínio dos homens nas estatísticas.

Tanto no Estado como no Município, a população masculina corresponde à maioria das vítimas da rubéola. Entre os paulistas, o índice de infectados ficou em 68% do total de casos em 2007. Já na cidade, a parcela de homens que adoeceu foi de 66, 7%. A explicação é que, historicamente, o foco de vacinação, a principal arma contra o vírus da doença, sempre foi as mulheres.

Priorizar a parcela feminina foi uma opção do Ministério da Saúde porque a doença é mais grave nas grávidas. "No geral, a rubéola é simples, só provoca febre e manchas vermelhas, nenhum outro sintoma sério", explica o secretário da Sociedade Brasileira de Infectologia, Juvêncio Furtado. "Mas durante a gravidez, o vírus pode provocar a síndrome da rubéola congênita no feto. O bebê nasce com sérias complicações, sendo a principal a surdez."
Por isso, no início do ano, a Organização Mundial de Saúde (OMS) lançou o desafio: estabeleceu a meta para o Brasil erradicar a rubéola até o ano 2010. Para alcançar o objetivo, os governos federal, estadual e municipal estipularam o dia 12 de setembro como crucial. Na data, será realizada uma grande campanha de vacinação contra a doença. E a proposta é atrair os homens, em especial, para os postos de saúde.

"Pretendemos vacinar 14 milhões de pessoas, entre 20 e 39 anos. Mas só vamos conseguir acabar com a rubéola caso os homens nos ajudem", afirma a diretora de imunização da Secretaria de Estado da Saúde, Helena Sato. O mesmo apelo para sensibilizar os paulistanos é feito por Sônia Ramos, gerente da vigilância epidemiológica da Prefeitura. "Pretendemos vacinar 3,9 milhões e vencer a resistência dos homens para receber as doses."
O receio das duas especialistas quanto à adesão masculina é que os homens não estão acostumados a ficar em dia com a saúde. Os relatórios recentes já mostram que eles evitam os consultórios e não seria diferente com as vacinas. Mas os números de rubéola comprovam que os homens continuam liderando os casos. De janeiro a maio, houve 329 notificações de rubéola em São Paulo, 210 delas em homens. Na capital paulista, dos 192 registros de 2008, 125 foram neles.

Campanha leva vacina ao homem - De um lado, 16,8 milhões de mulheres do País foram ao ginecologista em 2007. Em contrapartida, os urologistas foram visitados por apenas 2,3 milhões de homens. O Ministério da Saúde encomendou pesquisa para entender por que eles não vão ao médico. O levantamento com 250 especialistas mostrou que os pacientes masculinos enfrentam barreiras culturais, institucionais e médicas.

"Em geral, eles não querem deixar o horário de expediente para ir ao consultório", disse o coordenador nacional da Área Técnica da Saúde do Homem, Ricardo Cavalcanti. Para evitar a desculpa "não tenho tempo", a Secretaria Municipal de Saúde elaborou estratégia para a vacinação da rubéola. "Vamos levar os postos de vacinação para as universidades e as empresas. Eles podem receber as doses em horário de serviço", disse a coordenadora municipal, Sônia Ramos.

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