"Hoje em dia é tão raro um milagre. Essas velas já vieram bentas”, diz moradora de Bagé, no interior do Rio Grande do Sul

A tradicional procissão luminosa de Nossa Senhora Auxiliadora, que acontece a cada 24 de maio na cidade gaúcha de Bagé, quase na fronteira com o Uruguai, recebeu uma dose reforçada de fé neste ano. Tudo por causa de um acidente no carro que trazia o carregamento de velas usadas na festa religiosa. O automóvel teve perda total, mas as velas ficaram intactas, gerando comoção entre os fiéis.

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“Há uma sensibilidade maior entre os devotos. A partir desse fato, a devoção aumentou ainda mais”, acredita o padre Juarez Testoni, pároco responsável pela festividade. “As pessoas têm procurado muito as velas. Acreditamos que até esta quarta tenhamos vendido todas”, completa.

Procissão das luzes em homenagem a Nossa Senhora Auxiliadora em Bagé, no Rio Grande do Sul
Leko Machado/Divulgação/Prefeitura de Bagé
Procissão das luzes em homenagem a Nossa Senhora Auxiliadora em Bagé, no Rio Grande do Sul
O acidente aconteceu no dia 12 de maio. Por volta das 5h da manhã, o motorista Daniel Dias Pereira saiu de Caçapava do Sul, na região central do Estado, com mil velas divididas em dez caixas. Pouco depois de deixar a cidade, na BR 153, ele se perdeu numa curva e bateu o pequeno furgão contra uma parede de pedras. O automóvel teve perda total, mas Daniel nada sofreu, e nenhuma vela teria se quebrado.

“Tem algo estranho em toda a história. As caixas vinham bem acondicionadas, mas se bateram, poderiam ter quebrado”, diz Daniel. “Tantas coisas acontecem, que não duvido de nada”, reflete.

Proprietária de uma loja em Bagé, a comerciante Adriana Caminha foi quem encomendou o carregamento de velas para revender à Paróquia de Nossa Senhora Auxiliadora. “Quando fiquei sabendo que o carro tinha dado perda total, falei que só por um milagre as velas se salvariam”, relata.

O fato correu a cidade e, segundo a comerciante, aumentou a procura pelas velas, que seguem sendo vendidas pelo preço de R$ 2,00. “A procura foi bem maior. Hoje em dia é tão raro um milagre. Essas velas já vieram bentas”, acredita ela.

A professora aposentada Elvira Nascimento, 75 anos, conta com entusiasmo a história da festividade, cuja origem remonta ao período da Segunda Guerra Mundial, quando o padre da cidade pediu que a população acendesse velas a militares bageenses envolvidos no conflito. Devota de Nossa Senhora Auxiliadora, ela atesta que os fiéis ficaram comovidos com a notícia das velas intactas. “As pessoas ficaram impressionadas. Foi uma sinalização da presença de Nossa Senhora. Nós temos que estar abertos a essas leituras”, comenta a professora.

Neste ano, a prefeitura municipal retomou o concurso “Janelas de Maio”, no qual os moradores são incentivados a adornarem suas casas com velas e vitrais em homenagem a Nossa Senhora Auxiliadora. Segundo o padre Juarez Tosini, a festa vem se ampliando nos últimos anos – e o caso das velas pode contribuir para isso. “Independente deste fato, fizemos muita divulgação da procissão. Acredito que as duas coisas podem ajudar a aumentar o público. Não tenho dúvidas de que será um momento bastante forte e bonito”, completa.

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