Universidade gaúcha apura abuso após calouro ter coma alcoólico

Estudante de ciências da computação bebeu meio litro de cachaça durante trote. Universidade cogita punir envolvidos

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

A reitoria da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) se reuniu nesta segunda para analisar o caso do estudante que foi levado ao hospital, em coma alcoólico, durante um trote do curso de Ciências da Computação na última sexta-feira. Sem informar se adotará medidas, a reitoria da UFRGS disse condenar abusos nas recepções aos calouros. A diretoria da faculdade deve se reunir com os alunos envolvidos no trote para buscar mais informações.

O calouro do curso de Ciências da Computação, Felipe Boff Molski, 18 anos, ficou inconsciente depois de ingerir cachaça durante o trote ocorrido na tarde de sexta-feira, fora da universidade, no Parque da Redenção. Uma das atividades da recepção consistia em uma competição para ver qual estudante bebia a maior quantidade de cachaça.

Em uma comunidade de estudantes da UFRGS no Orkut, veteranos que participaram do trote e o próprio Felipe comentaram o caso. Ele teria ingerido cerca de meio litro da bebida e desmaiou. Os alunos chamaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que teria se negado a atender o aluno, pois estava alcoolizado.

Felipe foi levado ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) por familiares e veteranos do curso e liberado ainda na sexta-feira. Ele atribuiu o caso a uma irresponsabilidade pessoal. “Só bebo em festas e aquilo foi na empolgação do momento. Irresponsabilidade sim, mico nem se fala”, escreveu.

Em nota, a reitoria da UFRGS disse nesta segunda que condena “todo tipo de atitude que possa representar abusos em forma de violência, tanto física como psicológica, bem como aquelas que desrespeitem a vida e a dignidade humana”. Sem informar que medidas serão tomadas no caso, a universidade afirmou que uma norma interna de 2001 determina que os responsáveis por eventuais abusos sejam punidos.

Segundo o vice-diretor do Instituto de Informática da UFRGS, Luís Carlos Lamb, haveria uma reunião com os alunos envolvidos na tarde desta segunda. “Eu não organizaria uma atividade deste teor. Nas dependências da universidade, não é permitido o consumo de bebida alcoólica”, destaca o professor.

Ele explica que, a cada semestre, os alunos são orientados a não cometerem excessos durante os trotes. Depois de se reunir com os estudantes, a direção analisará se tomará alguma medida. “Vamos conversar com eles novamente sobre as normas existentes e levantar dados para descobrir se houve alguma atitude além do civilizado”, informa Lamb.

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) defende a instalação de uma sindicância para apurar responsabilidades e procurará saber se a universidade tomará medidas concretas. “Não há tradição de trotes violentos na UFRGS, mas abusos como consumo de álcool e outras humilhações acontecem e devem ser coibidos”, afirma o estudante Rodolfo Mohr, um dos coordenadores da entidade.

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