Sede da entidade ambientalista é demolida em Porto Alegre

Agapan, pioneira na defesa do meio ambiente, viu sua sede ir abaixo sem ser avisada. Prefeitura diz que vai investigar

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

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A casa da Agapan, antes da demolição
Em plena Semana do Meio Ambiente, uma das entidades ambientalistas pioneiras no Brasil teve sua sede demolida no final da tarde desta segunda-feira, em Porto Alegre. A prefeitura municipal já abriu sindicância para apurar as responsabilidades sobre a destruição da casa ecológica, a primeira sede da entidade que completou 40 anos em 2011.

Fundada em 1971, a Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan) é considerada pioneira entre as entidades ambientalistas no Brasil. Em abril, a organização completou 40 anos e foi tema de uma reportagem do iG . A casa de madeira, construída a partir de conceitos ecológicos, abrigava reuniões do grupo.

Na noite desta segunda, os integrantes foram surpreendidos com a notícia de que a casa ecológica havia sido destruída a mando de uma empresa, que obteve alvará provisório, concedido por dois funcionários da Secretaria Municipal da Indústria e Comércio (Smic), para a instalação de uma pizzaria no local.

A própria Smic admite surpresa com a situação e diz que a empresa agiu de má fé. Na manhã desta terça, o secretário Valter Nagelstein teve reunião com o setor de licenciamentos da Smic para apurar como foi concedido alvará para o funcionamento de uma pizzaria na área, que é de propriedade da prefeitura e estava cedida para a Agapan.

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Os destroços da casa da Agapan, após a demolição
Em nota, Nagelstein informou que a empresa Peruzzato & Kindermann Ltda. havia apresentado registro na Junta Comercial e CNPJ e, para todos esses documentos, apresentou o endereço da sede da Agapan. Mesmo assim, a destruição só poderia ocorrer depois da concessão da Licença de Demolição pela Secretaria de Obras, o que não ocorreu.

“O sistema de Alvará Provisório é um meio eficaz de dar agilidade, desburocratizar a atividade econômica na cidade e formalizar empreendedores. São fornecidos em torno de 20 mil alvarás por ano, sendo este o primeiro episódio dessa natureza. O sistema é seguro, mas, como todo o sistema, está sujeito a fraudes”, afirmou Nagelstein em nota. Nesta terça,

o prefeito José Fortunati determinou a instalação de uma sindicância para apurar o caso.

O diretor da Agapan José Guilherme Fuentefría acredita que a própria prefeitura ajudará na reconstrução da sede da Agapan. O acervo da entidade não estava guardado no local que foi destruído. “Estamos construindo a primeira sede da Agapan nos seus 40 anos. O secretário nos disse que não deixaria de se comprometer com a reconstrução do prédio”, declara.

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