Procissão religiosa reúne 100 mil em Porto Alegre

Devotos de Nossa Senhora dos Navegantes tomam a capital gaúcha para pagar promessas e homenagear a santa

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Há 32 anos, a promessa pela saúde do filho levou Vilma Soares da Silva a participar de sua primeira procissão de Nossa Senhora dos Navegantes, em Porto Alegre. Hoje, aos 72, ela percorre os seis quilômetros anualmente no dia 2 de fevereiro. “Vou indo devagarinho, mas chego”, diz. O mesmo motivo faz a jovem Roberta Nunes, 19, a levar o recém-nascido Victor, dois meses, à sua primeira procissão.

Por promessas ou simples devoção, milhares de pessoas participaram, na manhã desta quarta, em Porto Alegre, da tradicional festa de Nossa Senhora dos Navegantes. Acompanhada pelos fiéis, a imagem da santa deixou a Igreja Nossa Senhora do Rosário, no centro da cidade, por volta das 8h da manhã, e chegou duas horas depois na Igreja Nossa Senhora dos Navegantes, onde o arcebispo de Porto Alegre, Dom Dadeus Grings, celebrou uma missa campal. Paralelamente, 146 barcos participaram da procissão fluvial nas águas do Guaíba, que margeia a cidade.

A origem da devoação tem origem com os navegadores portugueses no século 15. Influenciada pelos imigrantes açorianos, Porto Alegre realiza a festa há 140 anos. Nossa Senhora dos Navegantes é a padroeira da cidade e a festa em sua homenagem foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial de Porto Alegre.

Segundo o provedor da Irmandade dos Navegantes, Aldo Besson, a procissão na capital gaúcha é uma das maiores do Brasil e, neste ano, registrou o maior público dos últimos anos. “Desde que foi criada a devoção, ela vem atendendo muito as pessoas que fazem promessas. Isso foi se alastrando para o povo”, explica. A Brigada Militar estimou em 80 mil o número de participantes da procissão e em 100 mil o total de devotos que acompanharam as atividades. A organização do evento chegou a falar em 200 mil pessoas durante toda a manhã.

Muitos fiéis caminhavam descalços, carregando imagens ou miniaturas de barcos. As primas Roberta e Jéssica Nunes levavam nos braços os filhos pequenos, vestidos de anjo, ambos com problemas de saúde. Pablo, filho de Jéssica, chegou a ficar um ano internado no hospital. “Prometi participar da romaria até os sete anos, ou até ele se curar”, conta Jéssica.

Mas nem só promessas motivavam os devotos. “Venho pela fé, desde criança”, dizia o apressado José da Silva, 68 anos, puxado pela esposa pelo braço para acompanhar a missa mais de perto. Sob a ponte do Guaíba, inaugurada em 1958, José lembra que começou a participar da procissão antes mesmo de ela existir. “Meu pai me trazia quando essa ponte nem existia. Se alguém imaginasse que iriam construir uma ponte dessas, iam falar que o sujeito tinha tomado umas e outras”, brinca.

O casal Flávio e Noecir Montes também não tinha nenhum pedido a fazer à Nossa Senhora. “Venho só para agradecer”, disse Flávio, lembrando sua dupla devoção pela santa, celebrada pelas religiões católica e de origem africana, que cultuam Iemanjá. “É uma mistura de duas crenças”, resumiu.

O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati (PDT), e o governador do Estado, Tarso Genro (PT), participaram da celebração na capital. Cidades do interior gaúcho, como Pelotas e Rio Grande, também realizam homenagens à Nossa Senhora dos Navegantes.

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