Porto Alegre promete mais proteção a ciclistas após atropelamento

Atropelamento de 17 ciclistas na capital gaúcha completa um mês nesta sexta

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

nullUm mês depois do atropelamento coletivo de ciclistas, que alcançou repercussão internacional, a prefeitura de Porto Alegre prepara o lançamento de uma campanha de conscientização aos motoristas. A promessa é de maior fiscalização e proteção aos ciclistas após o lançamento da campanha . As propostas de um plano criado em 2009, porém, ainda estão longe de saírem do papel.

O atropelamento aconteceu no dia 25 de fevereiro, durante a tradicional “bicicletada” realizada pelo grupo Massa Crítica. Após uma discussão, o servidor do Banco Central Ricardo José Neis acelerou seu Golf preto contra os ciclistas, atingindo 17 pessoas, segundo o Ministério Público. Neis fugiu sem prestar socorro. Quando se apresentou à polícia, alegou ter entrado em pânico e tentado proteger o filho de 15 anos que o acompanhava.

Daniel Cassol
Ricardo José Neis atropelou ciclistas no centro de Porto Alegre há um mês
Nesta sexta, o Massa Crítica volta a fazer sua manifestação realizada a cada final de mês. Protestos em outras capitais brasileiras também lembrarão o primeiro mês do atropelamento.

O caso gerou uma onda de protestos e fez os ciclistas cobrarem ações da prefeitura de Porto Alegre. Foi instalado um grupo de trabalho, formado por técnicos da Empresa Pública de Transportes e Circulação (EPTC) e ciclistas, que deve se reunir a cada dois meses.

“Pelo menos está havendo uma conversa, que antes não tinha. Queremos que as coisas saiam do papel”, ressalta Marcelo Kalil, um dos integrantes do Massa Crítica. Mais que reuniões, os ciclistas reivindicam medidas concretas, sendo que algumas poderiam ser adotadas imediatamente.

Os ciclistas defendem que a EPTC autue os motoristas que não respeitarem a distância de 1,5 metros, sinalize as vias alertando para a presença de ciclistas e libere espaços para as bicicletas. A EPTC acena com mudanças, mas alega que algumas delas podem esbarrar na “agressividade” dos motoristas de Porto Alegre.

O diretor-presidente Vanderlei Capellari disse ao iG que a EPTC analisa a possibilidade de liberar para as bicicletas nos finais de semana os corredores de ônibus da avenida Erico Veríssimo e do trecho da Terceira Perimetral onde a prática ainda não é adotada. Outras medidas, como a criação de ciclofaixas nas faixas hoje destinadas ao estacionamento dos carros, levariam mais tempo.

Capellari lembra o fracasso do “Caminhos dos Parques”, uma ciclofaixa que unia os principais parques da cidade e, aos domingos, deveria ser usada exclusivamente pelos ciclistas. Ele conta que, a cada domingo, cerca de 50 veículos eram guinchados por estarem estacionados irregularmente sobre a ciclofaixa.

Para Capellari, o motorista de Porto Alegre não está acostumado a respeitar os ciclistas. “Ele é completamente competitivo e agressivo. É um comportamento distinto de outras cidades. Realmente, a mudança de comportamento do nosso motorista é um problema que precisa ser enfrentado”, afirma.

Diante deste quadro, a EPTC pretende lançar nos próximos dias uma campanha de conscientização para os motoristas. A campanha vem sendo elaborada com ajuda de ciclistas que participam das reuniões. Depois, a EPTC pode apertar a fiscalização.

“Após a campanha, muito direcionada ao comportamento do motorista em relação ao ciclista, pretendemos ampliar a rigidez da fiscalização. É um processo que pode acontecer em seguida”, afirma Capellari.

A próxima reunião entre ciclistas e EPTC acontece no dia 5 de maio. No dia 7 de abril, a Câmara de Vereadores vai realizar uma audiência pública sobre circulação de bicicletas na cidade.

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