"Policial não é carteiro", reclama presidente de associação de soldados

Governo gaúcho manda que policiais recolham, de casa em casa, a carteira de motorista, suspensa, de 7 mil motoristas

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Uma ação do governo do Rio Grande do Sul para recolher a carteira de habilitação de sete mil condutores suspensos vêm causando revolta entre os policiais militares. Eles serão os responsáveis por ir até as casas dos condutores para entregar notificações. "Policial não é carteiro nem oficial de justiça", critica o presidente da associação de soldados, Leonel Lucas

A função do policial militar é fazer o policiamento ostensivo. Policial não é carteiro nem oficial de justiça", diz o presidente da associação

A assinatura do termo de cooperação técnica entre o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e a Brigada Militar, a PM gaúcha, aconteceu na tarde desta sexta-feira, em Porto Alegre. A ação faz parte de um programa de combate à violência no trânsito e pretende tirar de circulação os motoristas impedidos de dirigir, mas que ainda não entregaram a carteira de habilitação ao Detran.

Em dezembro do ano passado, o Detran publicou no Diário Oficial do Estado um edital notificando 10,8 mil condutores punidos com a perda do direito de dirigir. O edital foi publicado após esgotadas as tentativas de notificação pelo Correio. Do total, ainda faltam cerca de 7,3 mil CNHs a serem devolvidas, e os donos delas serão visitados pelos policiais militares, tendo um prazo de 48 horas para entregarem ao Detran. Os motoristas também seriam encaminhados a programas de reciclagem.

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O presidente da Associação de Soldados da Brigada Militar, Leonel Lucas, disse que a entidade já pediu audiência com o comandante-geral da corporação e que, se não houver acordo, pode entrar na justiça contra a medida. "A função do policial militar é fazer o policiamento ostensivo. Policial não é carteiro nem oficial de justiça", reclama.

Para Leonel Lucas, a nova tarefa dos policiais representará tempo e uso de viaturas. Além disso, a ação caberia aos agentes de trânsito e não aos policiais militares, que são autoridades de trânsito. "O modo mais fácil de sair deste imbróglio é fazer barreiras policiais e tentar pegar os infratores", recomenda.

Durante a assinatura do termo de cooperação, o comandante-geral da Brigada Militar, Sérgio Roberto de Abreu, disse que o sentido da nova missão dada aos policiais é a prevenção. "Eles irão nas residências para prevenir que motoristas continuem andando com a CNH suspensa e para orientá-los a se regularizarem junto ao órgão de trânsito", afirmou.

Já o vice-governador Beto Grill, que coordena as ações de segurança no trânsito no governo gaúcho, disse que problemas "pontuais" poderão ser resolvidos. "Existem alguns segmentos que não entendem a proposta e trazem pontualmente questões que podem ser fruto da nossa observações, para melhorarmos. Mas, no conjunto, as ações são indispensáveis, porque se trata de salvar vidas", declarou.

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