Polícia investiga tráfico de crianças no Rio Grande do Sul

Cidade de Passo Fundo descobriu dois casos em janeiro e há suspeita de mais dois, revelados por meio de denúncias anônimas

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Depois de flagrar dois casos de tráfico de crianças no mês de janeiro, a Polícia Civil de Passo Fundo, no norte do Rio Grande do Sul, está investigado dois outros casos na cidade, a partir de denúncias anônimas.

O delegado Gilberto Mutti Dumke, que estava interinamente à frente da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), encerrou na última terça os inquéritos de dois casos registrados nas últimas semanas. No primeiro deles, uma criança de cinco meses foi trocada por R$ 50. O delegado concluiu que a mãe biológica e seu companheiro são usuários de crack e entregaram a criança por causa do vício.

“É mais uma das faces do crack, um reflexo do uso das drogas”, resume o delegado. O casal e a receptora do bebê foram indiciados, além de um homem que a auxiliou. A criança está num abrigo público. Por não ter havido flagrante, ninguém está preso.

No segundo caso, registrado também em janeiro, um casal gaúcho radicado na Bahia tentou comprar uma criança recém-nascida por R$ 6 mil. A Polícia Civil prendeu em flagrante um advogado amigo do casal e uma dupla de mulheres de Passo Fundo que intermediou a negociação. A mãe, que desistiu de vender o bebê, denunciou o caso e permitiu o flagrante. O casal não estava presente no ato da troca, não foi preso e acabou fugindo.

Depois destes casos, os policiais receberam mais duas denúncias. Uma delas também tem relação com o vício do crack. No outro, a Polícia investiga se a mesma dupla de mulheres teria ajudado na venda de uma criança, também para a Bahia. “Há um indício, a partir do que já foi investigado, associado a denúncias anônimas, de que parte desse grupo já teria encaminhado outra adoção para a Bahia”, explica Dumke.

A investigação ficará por conta do titular da DPCA, delegado Mário Pezzi, que voltou de férias nesta quarta-feira. Ele promete dar “prioridade” às denúncias, mas no momento diz que não é possível determinar a existência de uma quadrilha na cidade. “Por enquanto, a informação de que haveria efetivamente uma quadrilha não é concreta”, destaca.

As pessoas já indiciadas podem pegar de um a quatro anos de prisão, punição prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente. A Polícia Civil não acredita que esteja ocorrendo uma “onda” deste tipo de crime, mas destaca a importância dos flagrantes para o surgimento das denúncias anônimas.

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