Passagem de ônibus em Porto Alegre vai custar R$ 2,70

Tarifa está entre as mais caras do País, atrás de SP e Brasília. Comparado com valor de 1994, preço sobe 104% acima da inflação

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

O Conselho Municipal de Trânsito de Porto Alegre (COMTU) aprovou e o prefeito José Fortunati sancionou nesta terça o reajuste na passagem de ônibus, que dos R$ 2,45 atuais passará a custar R$ 2,70. A capital gaúcha passa a ter uma das passagens mais caras do País, representando pelo menos R$ 108 por mês para quem toma dois ônibus a cada dia útil, e um aumento de 104% acima da inflação desde 1994.

As empresas de ônibus haviam pedido um aumento de 14,69%, o que elevaria o valor da passagem para R$ 2,81. Segundo o presidente do COMTU, Jaires Maciel, as empresas reajustaram o salário dos funcionários em 8% e tiveram custos elevados ao longo do último ano. “Na verdade, não é um aumento, mas um reajuste em relação ao que ficou acumulado durante o ano”, destaca.

 O aumento de 10,2% fica acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) acumulado nos últimos 12 meses, de 6,53%, mas abaixo do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M), de 11,50%.

 Porto Alegre só perde para São Paulo e Brasília no ranking das passagens mais caras entre as capitais brasileiras. O que impressiona é o aumento na tarifa nos últimos anos. Entre 1994 e 2011, as passagens de ônibus na capital gaúcha passaram de R$ 0,37 para R$ 2,70, um aumento de 629,73%, ou seja, 104,15% maior que a inflação neste período, que foi de 257,44% pelo INPC.

 Em 2011, o trabalhador porto-alegrense terá que desembolsar pelo menos R$ 5,40 por dia, caso tome um ônibus para ir e outro para voltar do trabalho. No final do mês, serão R$ 108 gastos com passagem, cerca de 8% do rendimento médio dos assalariados da região metropolitana, que foi de R$ 1.327, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego de novembro de 2010.

 “O aumento afeta o conjunto da população porto-alegrense, mas também os trabalhadores que não contam com nenhum subsídio para a compra das passagens, como aqueles sem carteira assinada, autônomos e donos de negócios familiares”, afirma a economista Daniela Sandi, do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese).

 Estudantes e sindicalistas já realizaram um protesto durante a reunião do COMTU. Dois jovens chegaram a usar um bote para protestar em meio ao arroio Dilúvio, que passa em frente ao local onde se realizou a reunião. Para esta quarta, está previsto um protesto em frente à prefeitura, às 11h da manhã.

 “Estamos pedindo o congelamento desse aumento e a realização de uma auditoria para averiguar a necessidade de novos aumentos”, anuncia o secretário de juventude da Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Estado, Rodrigo Schley.

 Já o vereador Pedro Ruas (PSOL), presidente da comissão de transporte público da Câmara municipal, pretende pedir audiência com o prefeito. “Lamentavelmente, a tradição em Porto Alegre é que os pleitos dos empresários acabam sendo atendidos pelo COMTU e homologados pelo prefeito”, critica Ruas.

 O vereador defende que o congelamento da tarifa e a mudança na legislação que regula o reajuste. Atualmente, as empresas fazem uma solicitação ao Conselho, que tem a participação da prefeitura e da sociedade civil. Ele entende que os vereadores devam participar da discussão.

 Em nota, o Sindicato das Empresas de Ônibus (SEOPA) justificou o pedido pelo reajuste dos salários dos funcionários, pelo aumento no custo dos insumos e pelo alto número de passagens gratuitas, que chegaram a 54,8 milhões, além daqueles passageiros que pagam meia passagem ou utilizam dois ônibus pelo preço de um, no intervalo de 30 minutos entre as viagens. O SEOPA aponta também que incluiu 58 novos ônibus na frota e substitui 184. “Todos esses aspectos colocam o sistema como um dos melhores serviços do país, conforme pesquisas recentemente publicadas”, diz a nota divulgada pela entidade.

 Além da passagem do ônibus, as tarifas do ônibus lotação passarão a custar R$ 4,00.

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