Criança foi levada para um hospital, mas morreu antes de receber atendimento médico em Porto Alegre

O homem que esqueceu no interior do próprio carro a filha de sete meses, portadora de Síndrome de Down, pode ser indiciado por crime de homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. A afirmação é do delegado responsável pelo caso, que ouviu o pai da vítima na manhã desta segunda-feira .

O caso aconteceu na cidade de Novo Hamburgo, região metropolitana de Porto Alegre, na última quinta-feira (4). Funcionário de uma empresa de informática, o homem teria esquecido de levar a filha na escola e acabou indo trabalhar, por volta das 14h. Às 18h, quando retornou ao veículo, a filha já se encontrava desacordada. Ele a levou para o hospital, mas a menina já estava morta.

De acordo com o titular da 1a Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, Nauro Marques, o homem havia levado a filha de sete meses e outra de dois anos ao médico com a esposa. Após a consulta, ele deixou a esposa e a filha de dois anos na casa de sua mãe e ficou de levar a menina de sete meses à escola. “No trajeto até a firma, ele esqueceu que tinha de deixar a filha na creche e foi trabalhar normalmente”, afirma.

O delegado ouviu os pais da criança no final da manhã desta segunda, em Novo Hamburgo. Ele chamará para depor colegas de trabalho do pai da vítima e médicos que atenderam o caso. “Vou ouvir todas as pessoas que se relacionaram com eles. Médicos, colegas, o conselho tutelar. Quero ver como ele era, como estava no serviço e como era sua aceitação de ter uma filha com Síndrome de Down”, explica.

Marques espera concluir o inquérito dentro de 15 dias. O homem permanece em liberdade. O delegado diz que deve indiciá-lo por homicídio doloso. “Se tu deixas uma criança dentro de um carro fechado, exposta ao sol, é previsível que ela vá morrer. Se aconteceu o fato, ele agiu com dolo eventual”, diz.

Se ficar comprovado que o pai realmente esqueceu a filha no carro, ele poderia ser enquadrado em caso de “culpa consciente”, que prevê o perdão judicial, já que o pai que perdeu um filho já teria sido penalizado.

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