Pai que esqueceu filha no carro pode ser indiciado por homicídio

Criança foi levada para um hospital, mas morreu antes de receber atendimento médico em Porto Alegre

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

O homem que esqueceu no interior do próprio carro a filha de sete meses, portadora de Síndrome de Down, pode ser indiciado por crime de homicídio doloso, ou seja, com intenção de matar. A afirmação é do delegado responsável pelo caso, que ouviu o pai da vítima na manhã desta segunda-feira .

O caso aconteceu na cidade de Novo Hamburgo, região metropolitana de Porto Alegre, na última quinta-feira (4). Funcionário de uma empresa de informática, o homem teria esquecido de levar a filha na escola e acabou indo trabalhar, por volta das 14h. Às 18h, quando retornou ao veículo, a filha já se encontrava desacordada. Ele a levou para o hospital, mas a menina já estava morta.

De acordo com o titular da 1a Delegacia de Polícia de Novo Hamburgo, Nauro Marques, o homem havia levado a filha de sete meses e outra de dois anos ao médico com a esposa. Após a consulta, ele deixou a esposa e a filha de dois anos na casa de sua mãe e ficou de levar a menina de sete meses à escola. “No trajeto até a firma, ele esqueceu que tinha de deixar a filha na creche e foi trabalhar normalmente”, afirma.

O delegado ouviu os pais da criança no final da manhã desta segunda, em Novo Hamburgo. Ele chamará para depor colegas de trabalho do pai da vítima e médicos que atenderam o caso. “Vou ouvir todas as pessoas que se relacionaram com eles. Médicos, colegas, o conselho tutelar. Quero ver como ele era, como estava no serviço e como era sua aceitação de ter uma filha com Síndrome de Down”, explica.

Marques espera concluir o inquérito dentro de 15 dias. O homem permanece em liberdade. O delegado diz que deve indiciá-lo por homicídio doloso. “Se tu deixas uma criança dentro de um carro fechado, exposta ao sol, é previsível que ela vá morrer. Se aconteceu o fato, ele agiu com dolo eventual”, diz.

Se ficar comprovado que o pai realmente esqueceu a filha no carro, ele poderia ser enquadrado em caso de “culpa consciente”, que prevê o perdão judicial, já que o pai que perdeu um filho já teria sido penalizado.

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