Operários da Arena do Grêmio param trabalho contra más condições

Maioria dos trabalhadores mora na obra e reclama que alojamentos não têm fogão, geladeira e que falta ligação elétrica no banheiro

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

O prazo apertado para terminar as obras a tempo da Copa do Mundo gerou o primeiro problema na Arena do Grêmio, que está sendo construída no bairro Humaitá, em Porto Alegre. No dia em que o ministro do Esporte, Orlando Silva, visita o local, os operários da construtora OAS paralisaram as atividades para protestar contra as más condições de trabalho e ameaçam entrar em greve caso seus pedidos não sejam atendidos.

Daniel Cassol/iG
Cozinha de um dos alojamentos não tem fogão nem geladeira

Cerca de 350 operários, a maioria da Bahia e de outros estados do Nordeste do País, reclamam dos baixos salários, da qualidade da alimentação oferecida, das más condições dos alojamentos e exigem assistência médica e o direito de visitar as famílias a cada três meses.

“É uma paralisação de advertência. A empresa está jogando duro e não quer negociar”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada, Isabelino dos Santos. Ele esteve reunido com representantes da empresa na tarde desta quinta, apresentando os pedidos dos trabalhadores.

Entre eles, está o reajuste dos salários. Um operário ganha R$ 827 por mês para uma jornada das 8h às 18h. O salário de um auxiliar é de R$ 626. O baiano Rogério decidiu largar o serviço e voltar para São Paulo, onde mora. “O salário é muito pouco e não temos condições”, reclamou.

Daniel Cassol/iG
Alojamento dos operários da obra do estádio
Além do salário, os operários reclamam da má qualidade da alimentação, da falta de assistência médica no local da obra e das condições dos alojamentos espalhados pela cidade. Uma casa próxima do canteiro abrigaria pelo menos 40 trabalhadores, segundo eles próprios. A reportagem do iG esteve no local e constatou que a cozinha não é equipada, não há luz em alguns banheiros e o espaço é apertado. Na garagem da casa, há dez camas e apenas um ventilador, emprestado pelo proprietário de um bar ao lado. Os operários também querem poder visitar suas famílias a cada três meses. Hoje, a empresa garante passagem de avião e cinco dias úteis de descanso, mas a cada quatro meses.

Os representantes da empresa que estavam na obra não quiseram se manifestar. Em nota, a OAS disse que está “atenta” ao protesto e que busca “a melhor forma de condução das reivindicações”. “A OAS afirma que o episódio em nada irá alterar o cronograma das obras, que segue em dia e em ritmo acelerado”, diz a nota.

Nesta quinta, o ministro do Esporte, Orlando Silva, cumpre agenda no Rio Grande do Sul. Depois de uma reunião com o governador Tarso Genro, está prevista uma visita às obras da Arena. A previsão é de que o novo estádio do Grêmio fique pronto até o final de 2012, a tempo de poder sediar a Copa das Confederações do ano seguinte.

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