MST faz primeira invasão de terra do governo de Tarso Genro (PT)

Pelo menos 150 sem-terra participam da ação no Rio Grande do Sul. A fazenda foi desapropriada há 10 anos

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Um grupo de agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu uma fazenda na manhã desta segunda no município gaúcho de São Borja, na fronteira com a Argentina. A área foi desapropriada em 2001, mas a liberação ainda depende de recursos do governo estadual. É a primeira ação do MST no governo do petista Tarso Genro no Rio Grande do Sul.

Cerca de 150 pessoas, segundo a Brigada Militar, e 400, segundo o MST, participam da invasão. Os agricultores chegaram ao local por volta das 4h30, em dois ônibus e um caminhão. De acordo com informações da polícia em São Borja, o caseiro da fazenda foi rendido e depois, liberado. Não há feridos. A Brigada Militar enviou um efetivo de 20 policiais para monitorar a situação da fazenda, que permanecia tranquila até o começo da tarde.

A fazenda Palermo, localizada em Rincão Mercedes, interior de São Borja, foi desapropriada há 10 anos pelo governo do Estado, durante o governo de Olívio Dutra (PT). O proprietário entrou na Justiça pedindo a revisão do valor pela terra e, até hoje, o Estado precisa depositar cerca de R$ 1,9 milhões para liberar a área, que tem 1,2 mil hectares (o equivalente a 1,2 mil campos de futebol) e poderia abrigar 54 famílias. Segundo o MST, existem mil famílias de sem-terra vivendo em acampamentos no Rio Grande do Sul.

“Já fizemos uma audiência com o governo do Estado e colocamos a pauta do movimento. Na pauta, está o pedido de assentamento de mil famílias acampadas”, afirma Neiva Vivian, uma das coordenadoras do MST no Estado.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) disse que não tem informações sobre a área, já que o processo foi todo realizado pelo governo estadual. Procurada pela reportagem, a Casa Civil do governo gaúcho disse que o assunto seria analisado ou pela secretaria da Agricultura ou pela secretaria de Desenvolvimento Rural. O governo do Estado teria entrado em contato com as lideranças do MST, mas ainda não foi marcada nenhuma audiência.

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