Pelo menos 150 sem-terra participam da ação no Rio Grande do Sul. A fazenda foi desapropriada há 10 anos

Um grupo de agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiu uma fazenda na manhã desta segunda no município gaúcho de São Borja, na fronteira com a Argentina. A área foi desapropriada em 2001, mas a liberação ainda depende de recursos do governo estadual. É a primeira ação do MST no governo do petista Tarso Genro no Rio Grande do Sul.

Cerca de 150 pessoas, segundo a Brigada Militar, e 400, segundo o MST, participam da invasão. Os agricultores chegaram ao local por volta das 4h30, em dois ônibus e um caminhão. De acordo com informações da polícia em São Borja, o caseiro da fazenda foi rendido e depois, liberado. Não há feridos. A Brigada Militar enviou um efetivo de 20 policiais para monitorar a situação da fazenda, que permanecia tranquila até o começo da tarde.

A fazenda Palermo, localizada em Rincão Mercedes, interior de São Borja, foi desapropriada há 10 anos pelo governo do Estado, durante o governo de Olívio Dutra (PT). O proprietário entrou na Justiça pedindo a revisão do valor pela terra e, até hoje, o Estado precisa depositar cerca de R$ 1,9 milhões para liberar a área, que tem 1,2 mil hectares (o equivalente a 1,2 mil campos de futebol) e poderia abrigar 54 famílias. Segundo o MST, existem mil famílias de sem-terra vivendo em acampamentos no Rio Grande do Sul.

“Já fizemos uma audiência com o governo do Estado e colocamos a pauta do movimento. Na pauta, está o pedido de assentamento de mil famílias acampadas”, afirma Neiva Vivian, uma das coordenadoras do MST no Estado.

O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) disse que não tem informações sobre a área, já que o processo foi todo realizado pelo governo estadual. Procurada pela reportagem, a Casa Civil do governo gaúcho disse que o assunto seria analisado ou pela secretaria da Agricultura ou pela secretaria de Desenvolvimento Rural. O governo do Estado teria entrado em contato com as lideranças do MST, mas ainda não foi marcada nenhuma audiência.

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