MST anuncia invasão no Rio Grande do Sul e testa Tarso Genro

Sem-terra estão organizando uma invasão no norte do Estado e governo gaúcho responde com promessa de "solução conjunta"

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Agência Estado
Tarso Genro, governador do Rio Grande do Sul: até agora, ele tem conseguido manter os movimentos sociais, como o MST, sob controle
Depois de obter uma vitória na negociação com os professores estaduais na última sexta-feira, o governador Tarso Genro volta (PT) a encarar protestos de movimentos sociais no início desta semana. A promessa de uma invasão pelo MST testará a capacidade de negociação do governo com aliados históricos do governador e do partido.

Cerca de 600 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra retomaram uma marcha na região norte do Rio Grande do Sul. Eles prometem invadir a Fazenda Coqueiros, no município de Coqueiros do Sul, uma área de sete mil hectares disputada desde 2006. A Polícia Militar já enviou um efetivo para o local, uma vez que o MST pode chegar à propriedade ainda nesta segunda.

No dia 21 de março, o mesmo grupo havia invadido uma fazenda no município de São Borja, na fronteira com a Argentina. A área foi desapropriada em 2001, mas o governo estadual precisa fazer um depósito para liberá-la. O MST também cobra o assentamento de mil famílias acampadas, promessa firmada pelo governo federal com o Ministério Público há dois anos.

“Estamos acompanhando essa marcha e temos a certeza de que vamos construir a solução conjunta, sem necessidade de o MST ocupar outras fazendas”, afirma o chefe da Casa Civil do governo gaúcho, Carlos Pestana. O governo aguarda a confirmação sobre a situação da área de São Borja e promete liberar os recursos necessários.

Passados cem dias, o governador Tarso Genro começa a encarar com mais frequência as manifestações de sindicatos e movimentos sociais historicamente ligados ao PT. Na primeira invasão do MST em seu governo, Tarso Genro enviou o secretário de Desenvolvimento Rural, Ivar Pavan, que negociou pessoalmente com o movimento e evitou uma desocupação forçada.

“Por meio do diálogo, tentamos compor a solução ou amenizar os problemas dos movimentos sociais. Até agora, o resultado tem sido positivo”, avalia Carlos Pestana. “De um lado está nossa disposição do diálogo. Do outro, a luta faz parte do dia a dia dos movimentos sociais”, completa.

Na última sexta, o governo viu o Cpers, sindicato que representa os professores estaduais, aprovar a proposta de 10,91% de reajuste no salário básico. A entidade disse que seguirá pressionando pelo cumprimento do piso nacional da categoria, mas o acordo selou uma vitória importante do governo, que já havia conseguido aprovar o salário mínimo regional em R$ 610, agradando as centrais sindicais.

Nesta segunda, além da marcha do MST, integrantes do Movimento dos Trabalhadores Desempregados tomaram durante duas horas a entrada da Secretaria de Desenvolvimento Rural, cobrando a regularização de um assentamento. Após uma reunião com o secretário Ivar Pavan, eles deixaram o prédio.

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