Motorista será indiciado por tentativa de homicídio

Para a polícia, Ricardo José Neis, que atropelou um grupo de ciclistas em Porto Alegre, usou carro como arma por motivo fútil

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

nullO titular da Delegacia de Trânsito de Porto Alegre, Gilberto Montenegro, informou nesta terça-feira que deve indiciar por tentativa de homicídio duplamente qualificada o motorista que atropelou um grupo de ciclistas na noite da última sexta-feira. Tanto a Polícia Civil como o Ministério Público pediram a prisão preventiva do bancário Ricardo José Neis, 47 anos, que se apresentou à delegacia nesta segunda, mas permanece em liberdade. Nesta terça-feira, Neis buscou atendimento em uma clínica psiquiátrica .

Segundo o delegado Gilberto de Medeiros, o motorista deve ser enquadrado no artigo 121 do Código Penal, por tentativa de homicídio duplamente qualificada – motivo fútil e redução de defesa da vítima, já que os ciclistas foram atropelados pelas costas.

“Para ele tomar aquela atitude, ele assumiu o risco. Ele diz no seu depoimento que alguns ciclistas bateram no carro dele e ele teve medo”, declarou Montenegro durante entrevista coletiva no final da manhã desta terça. “Ele teve consciência do erro, ele sabe disso, ele usou o carro como uma arma”, destacou o delegado.

O inquérito policial deve ser concluído em 30 dias. A Justiça do Rio Grande do Sul vai decidir na tarde desta terça se concede ou não o pedido de prisão preventiva.

O delegado Gilberto Montenegro não soube precisar, mas disse que já tomou o depoimento de 15 a 20 vítimas e testemunhas do atropelamento. O automóvel Golf do autor do atropelamento está passando por perícia policial. Segundo informações prestadas por Ricardo Neis à polícia, os dois espelhos retrovisores foram quebrados, mas não houve mais danos no veículo. O filho de 15 anos do condutor será ouvido nesta tarde, na companhia da mãe.

Antecedentes

nullSegundo informações da Polícia Civil, o bancário Ricardo José Neis, funcionário do Banco Central, possui antecedentes criminais, ao contrário do que haviam informado seus advogados de defesa. Ele teria agredido a ex-companheira há pouco mais de um ano, em caso que ainda está na Delegacia da Mulher. Um revólver calibre 38 de sua propriedade teria sido furtado, aparecendo na posse de outra pessoa, situação que o bancário não teria esclarecido. Há outras ocorrências que os policiais não quiseram precisar, porque não teriam influência na atual investigação.

O atropelamento ocorreu no início da noite de sexta-feira, quando integrantes do grupo Massa Crítica iniciavam sua tradicional manifestação em defesa do uso das bicicletas. Após uma discussão entre o motorista e os ciclistas, Ricardo José Neis acelerou sobre as bicicletas atropelando pelo menos 15 pessoas, sendo que oito foram levadas ao Hospital de Pronto Socorro (HPS). Ele fugiu sem prestar socorro às vítimas e se apresentou à polícia somente na segunda-feira.

“Eu tinha que fazer isso. Não consigo dormir. Eles estavam batendo no carro. Se eu ficasse no local, seria linchado”, afirmou Ricardo Neis.

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