Mortes por chuva se concentram em uma região no Rio Grande do Sul

Vale do Rio dos Sinos, região cortada por um rio e altamente povoada, responde pela maioria das 23 mortes por temporais no ano

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Em todas as cidades, prevíamos que iria acontecer o fenômeno e nossas regionais estavam de prontidão. Sabíamos que iria chover, mas não havia como prever essas coisas pontuais”

As chuvas fortes que atingiram cidades localizadas próximas a rios e encostas geraram um número trágico nos quatro primeiros meses do ano no Rio Grande do Sul. Desde janeiro, pelo menos 23 pessoas já morreram em decorrência de enxurradas em cidades gaúchas, a maioria na região do Vale do Rio dos Sinos, onde a chuva matou 12 pessoas no feriado de Páscoa .

“É um número expressivo, porque são eventos de magnitude média. De fato, nossa exposição está cada vez maior e estamos tendo mais mortes”, alerta o professor Luis Carlos da Silva Pinto, do Centro de Ensino e Pesquisa e Desastres da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

O rio dos Sinos “desce” a serra gaúcha e desemboca no delta do rio Jacuí, em uma região baixa e densamente povoada. “São eventos localizados, em que se divide a culpa entre o volume de chuvas e a ocupação sem os devidos cuidados”, afirma o professor Luiz Carlos.

Reprodução Google Maps
A região do rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, é densamente povoada
Segundo o tenente Aldo Bruno Ferreira, da Defesa Civil do Rio Grande do Sul, as mortes ocorreram devido a acontecimentos pontuais e impossíveis de prever. “Em todas as cidades, prevíamos que iria acontecer o fenômeno e nossas regionais estavam de prontidão. Sabíamos que iria chover, mas não havia como prever essas coisas pontuais”, explica.

Entre sexta e sábado, a tempestade matou sete pessoas em Igrejinha, no Vale do Sinos. Na mesma região, três irmãos morreram soterrados na cidade de Novo Hamburgo. As cidades de Sapucaia do Sul e Fazenda Vilanova registraram uma morte cada uma.

As 12 vítimas do feriado se somam às outras 11 pessoas que morreram devido às fortes chuvas no Rio Grande do Sul desde o início do ano. Cidades localizadas na bacia do rio dos Sinos, como Dois Irmãos e São Leopoldo, também registraram mortes em decorrência das enxurradas.

A maior tragédia climática do ano no Rio Grande do Sul havia acontecido longe dali, nas margens da Lagoa dos Patos, em São Lourenço do Sul . No início de março, a enchente no rio São Lourenço alagou metade da cidade e matou sete pessoas.

Prevenção

O governador Tarso Genro (PT), que esteve em Igrejinha neste domingo, voltou a afirmar nesta segunda-feira que o governo trabalha para reestruturar a Defesa Civil estadual.

O Rio Grande do Sul integra o Sistema Nacional de Alerta à Prevenção de Desastres Naturais, que vem sendo desenvolvido pelo Ministério da Ciência e Tecnologia. “O sistema não é caro. O trabalho mais difícil é o levantamento das áreas de risco, que só pode ser feito em parceria com os Estados e municípios, além do fortalecimento das defesas civis”, afirmou o ministro Aloísio Mercadante, em visita a Tarso Genro nesta segunda.

Uma das iniciativas é um sistema de monitoramento em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que está em teste faz 30 dias. 

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