"Maior da América Latina", locadora pornô resiste a fechar em Porto Alegre

Com 45 mil títulos, a Zil Vídeos tenta continuar "útil para a sociedade", como define seu dono

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

É o proprietário quem considera a Zil Vídeo, de Porto Alegre, a maior locadora pornô da América Latina - afinal, não sobraram muitas e a Califórnia , um dos principais produtores do gênero, anda em crise de produção por conta da pirataria e da crise econômica nos EUA.

O prédio de três andares abriga um variado – “tem até sexo com máquinas” – e numeroso – 45 mil títulos – acervo de filmes pornográficos. Hilton Zilberknop, o dono, lamenta o baixo movimento na loja em tempos de pornografia ampla e irrestrita na internet, mas nem pensa em fechar as portas. “Na vida, a gente tem que ser útil para a sociedade”, diz ele.

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Hilton Zilberknop, dono da locadora: "Na vida, a gente tem que ser útil para a sociedade"
Fundada em outubro de 1987, a Zil Vídeo é um patrimônio de Porto Alegre. Está instalada em um prédio na avenida Osvaldo Aranha, no bairro Bom Fim, como uma das últimas remanescentes da cena underground que se desenrolou por ali entre os anos 80 e 90. O bar João e o cinema Baltimore, outros símbolos da época, já não existem mais. A Zil Vídeo permanece.

Leia também: Pirataria e crise econômica ameaçam indústria pornô na Califórnia

São 30 mil fitas VHS – poucas delas não são pornôs – e 15 mil DVDs de filmes de pornografia distribuídos em um labirinto de prateleiras nos três andares do prédio. Estilos para todos os gostos. “Nunca tive preconceito contra nenhum tipo de filme. Tenho filmes de fetiche, gays, com travestis, com animais e até com máquinas. Se não tenho, compro”, diz o proprietário da loja, Hilton Zilberknop.

A Zil Vídeo foi fundada pelo irmão, Celso, em 1987. Era uma das menores locadoras da cidade. Hilton ajudava distribuindo panfletos pela cidade e entrou oficialmente na sociedade no ano seguinte.

Nunca tive preconceito contra nenhum tipo de filme. Tenho filmes de fetiche, gays, com travestis, com animais e até com máquinas”

No início, a Zil era uma locadora normal, com um modesto acervo de pornografia. Enquanto as grandes lojas gastavam até cem dólares para comprar títulos de sucesso na época, como “Um peixe chamado Wanda”, Hilton passou a apostar em filmes menos conhecidos do grande público. “Eu analisava o mercado das locadoras. Via que as concorrentes compravam várias fitas de filmes de sucesso. Eu comecei a comprar filmes menos badalados, que as outras não tinham. No pornô, eu carregava bastante, eu sentava o sarrafo. Enxerguei este nicho”, conta.

Aos poucos, a Zil Vídeo foi ficando conhecida como uma locadora especializada em pornografia. A quantidade de filmes disponíveis e o fato de ser uma loja única fazem Hilton acreditar ser proprietário da maior locadora pornô da América Latina.

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"A quebradeira vem de tempo. A gente sente a queda no movimento. Tenho saudade do tempo que não havia TV paga", diz dono
O movimento, é claro, não é mais o mesmo. Em tempos de pornografia farta na internet e nos canais de TV por assinatura, Hilton lamenta a baixa nos negócios. “A quebradeira vem faz tempo. A gente sente a queda no movimento. Tenho saudade do tempo que não havia TV paga. O pornô era forte na locadora”, afirma. Avesso às inovações tecnológicas, Hilton não acessa a internet e só começou a trabalhar com DVDs em dezembro de 2005.

A locadora persiste com clientes mais cativos. Enquanto Hilton concede a entrevista, a circulação na loja é razoável. Um senhor, chamado pelo nome, vai para casa com uma pilha de meia dúzia da DVDs. Hilton também vende VHS antigos de filmes cult, não necessariamente eróticos. E mesmo reconhecendo que os tempos áureos da locadora já passaram, não pensa em fechar. “Não me agradaria parar e viver só de rendas. Na vida, a gente tem que trabalhar, fazer algo útil para a sociedade”, finaliza.

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