Inspirado em Lula, Tarso lança "conselhão" no Rio Grande do Sul

Governador gaúcho repete modelo de ex-presidente e coloca em conselho atores, esportistas, sindicalistas e ruralistas

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Com a formação eclética e inspiração no modelo implantado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro (PT), instalou nesta terça-feira o seu Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES). Empresários, dirigentes de movimentos sociais e personalidades formam o grupo no qual Tarso projeta uma “concertação” entre forças políticas tradicionalmente opostas.

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Dunga, ex-técnico da seleção brasileira, é um dos integrantes do conselho de Tarso
Entre os 90 integrantes, destacam-se representantes de entidades empresariais (13% da composição do conselho) e de trabalhadores (18,4% dos conselheiros são sindicalistas). Áreas como saúde, segurança, educação e direitos humanos também estão representadas. As mulheres, porém, seguem sendo minoria: são apenas nove na lista de 90 conselheiros.

Há também intelectuais, esportistas e personalidades como o ator global Werner Schunemman, que aceitou o convite para integrar o conselho sob a condição de que "não precisaria aplaudir ninguém".

“Quando me convidaram, eu disse só aceitaria se não precisar aplaudir. Nenhum dos conselheiros está aqui para aplaudir. Fomos apresentados a uma pesquisa muito interessante e detalhada da dimensão da encrenca do Estado do Rio Grande do Sul”, afirmou o ator gaúcho.

A lista de integrantes ainda conta com esportistas renomados, como a ginasta Daiane dos Santos e o técnico Dunga. O ex-treinador da seleção brasileira disse que usará sua experiência como jogador de futebol e responsável por projetos sociais em Porto Alegre para dar sua contribuição.

“Não é nenhuma surpresa para mim. Sempre fui um cidadão, tenho projetos sociais de inclusão e este vai ser um dos meus pontos fortes aqui. Todos falamos em educação, mas investimos pouco. Falamos em inclusão social, mas fazemos poucos cursos de profissionalização para que as pessoas tenham trabalho e possam competir. Vamos trazer opiniões e ideias novas”, afirmou Dunga.

Educação, segurança, saúde, investimentos e infraestrutura são alguns dos temas prioritários do conselho, que será dividido em seis câmaras setoriais - Piso Salarial Regional; Desenvolvimento da Região da Serra e Arranjos Produtivos Locais; Pacto Gaúcho pela Educação; Desenvolvimento Metropolitano; Previdência e Desenvolvimento Regional. Os grupos se reunirão a cada dois meses e serão eventualmente chamados pelo governador para serem consultados.

Para o secretário executivo, Marcelo Danéris, a própria instalação do conselho era motivo de dúvidas. “Era natural que diante de dois séculos de disputa política e de tanta polaridade se duvidasse da formação de um conselho”, afirmou.

A formação é eclética e mesmo antagônica. Na mesma mesa sentarão dirigentes do MST e da Federação da Agricultura (Farsul), entidade que reúne os ruralistas gaúchos. Representantes da CUT, da Força Sindical e de outras centrais sindicais debaterão com dirigentes empresariais e empresários como André Bier Gerdau Johannpeter, do Grupo Gerdau.

Inspiração no modelo federal

Tarso Genro foi o primeiro ministro do conselho criado pelo governo federal em 2003, cargo que voltou a ocupar em 2006. Para mostrar que o conselhão de Lula não se esvaziou, Tarso convidou para a posse vários integrantes do conselho federal e a secretária executiva, Esther Bemerguy de Albuquerque. “Em pouco tempo, vocês terão a certeza da efetividade deste conselho”, afirmou Esther.

Ela destacou que o conselhão de Lula foi um dos responsáveis por elaborar propostas para o enfrentamento da crise financeira de 2009. Já o governador gaúcho lembrou que projetos com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) foram gestados no conselho federal. Tarso Genro afastou ainda a possibilidade de esvaziamento da Assembleia Legislativa, uma das críticas que foram feitas por deputados de oposição.

“Boa parte dos comentaristas políticos apontou no conselho um elemento de desestabilização do Congresso Nacional”, disse Tarso, sobre a experiência no governo federal. O governador afirmou que o sistema de pedágios nas rodovias gaúchas e o desenvolvimento da região metropolitana de Porto Alegre serão alguns dos temas que deverão ser discutidos no conselho.

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