Condenado por matar mulher retorna ao Brasil após fuga em 2008

Luiz Henrique Sanfelice foi condenado pelo assassinato da mulher, encontrada carbonizada dentro do carro do empresário, em 2004

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

A Polícia Federal repatriou ao Brasil nesta quarta-feira o empresário Luiz Henrique Sanfelice, condenado a 19 anos de prisão por ter matado a mulher na cidade gaúcha de Novo Hamburgo, em 2004. Ele estava preso na Espanha, para onde fugiu há quase três anos. A defesa aguarda a decisão da Justiça sobre o destino de Sanfelice para avaliar se recorre contra uma possível regressão de regime. 

Sanfelice foi condenado a 19 anos de prisão por ter matado a mulher, a jornalista Beatriz Helena de Oliveira Rodrigues, de 43 anos, no Dia dos Namorados. O corpo dela foi encontrado carbonizado, no dia 13 de junho de 2004, no interior do automóvel de Sanfelice. O crime aconteceu na cidade de Novo Hamburgo, na região metropolitana de Porto Alegre. 

AE
Luiz Henrique Sanfelice voltou ao Brasil escoltado por policiais federais

O empresário foi condenado em dezembro de 2006 e, três meses depois, obteve o direito ao regime semiaberto. Em abril de 2008, Sanfelice não retornou mais para o Presídio Estadual de Novo Hamburgo e acabou sendo capturado nas proximidades de Sevilha, na Espanha, em maio do ano passado. A Justiça de Madri determinou a extradição do foragido. 

O delegado federal Farnei Franco Siqueira viajou no último domingo para Madri para trazer o prisioneiro de volta ao Brasil. Cidadão espanhol, Sanfelice fugiu para o país pela Argentina, saindo via Foz do Iguaçu (PR). Ele foi capturado em uma ação conjunta da Polícia Federal brasileira e da polícia espanhola.

O delegado disse que a viagem de volta foi tranquila e que em nenhum momento Sanfelice foi algemado. Na maior parte do tempo calado, ele contou alguns detalhes da fuga para a Espanha e de como viveu no país, trabalhando como servente e porteiro e usando abrigos públicos. “Ele demonstrou arrependimento por ter fugido do semiaberto. Ele alega que não existe uma prova definitiva contra ele. Faz até conjecturas, mas o fato é que se considera inocente”, afirmou Siqueira durante coletiva na sede da Polícia Federal em Porto Alegre. 

Ao chegar a Porto Alegre na manhã desta quarta, Sanfelice foi encaminhado para exames ao Departamento Médico Legal (DML). No único contato com a imprensa, limitou-se a dizer “sou inocente”. Ele ficará preso na Penitenciária Modulada de Montenegro, em regime fechado durante um mês, como punição pela fuga. O juiz Eduardo Almada, da Vara de Execuções Criminais de Porto Alegre, decidirá se Sanfelice permanece no semiaberto, como antes da fuga, ou retorna ao regime fechado.

A advogada Gabriela Michaelsen, que defende Sanfelice, informou ao iG que vai aguardar a definição sobre o destino de seu cliente para decidir se recorre de uma eventual regressão ao regime fechado. “O entendimento majoritário é pela regressão do regime. Vai ser uma batalha para conseguir algum benefício para ele”, afirmou Gabriela.

A advogada conversou com Sanfelice duas vezes. Primeiro, no DML, e depois na penitenciária de Montenegro. Ela diz que Sanfelice gostaria de voltar ao Brasil, pela proximidade com a família e pela possibilidade de cumprir o restante da pena, de pouco mais de 11 anos, em regime semiaberto.

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