Chuva alaga cidade e causa oito mortes no Rio Grande do Sul

Chuva forte em São Lourenço pode ter provocado mais mortes, avalia a Brigada Militar

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Subiu para oito o número de mortos em decorrência da forte chuva que atingiu o município de São Lourenço do Sul, localizado a cerca de 200 quilômetros de Porto Alegre, às margens da Lagoa dos Patos. A expectativa é que este número aumente com a sequência das buscas. Outras cidades gaúchas também foram atingidas por ventos e chuvas fortes nesta quinta-feira.

Segundo o major da Brigada Militar José Antônio Ferreira da Silva, que integra a equipe que trabalha em São Lourenço do Sul, oito corpos foram encontrados. Até as 18h30 desta quinta, a Brigada Militar conseguiu confirmar o nome de seis vítimas: Afonso Beiersdorf, 80 anos; Marlene Moraes, 76; Glória de Souza Martins, 81; Zilah de Souza Martins, 55; Zaira Fonseca, 83; e Elza Herrmann, 82. Outras duas vítimas ainda não foram identificadas. Entre elas estaria um jovem de 17 anos.

“As buscas vão continuar à noite e está tudo pronto para serem retomadas nesta sexta. É bem provável que haja mais vítimas, até porque a água começou a baixar”, disse o major Ferreira da Silva ao iG. As buscas são feitas com botes e helicópteros da Brigada Militar. Muitas pessoas permanecem ilhadas. A Marinha e a Defesa Civil também enviariam helicópteros para auxiliar nos resgastes.

A prefeitura de São Lourenço do Sul decretou estado de calamidade pública. Segundo o decreto, alguns pluviômetros localizados no município chegaram a registrar marcas de até 446 mm de chuva. O rio São Lourenço chegou a ficar três metros acima de seu nível normal em algumas localidades. A estimativa é de que 15 mil residências tenham sido afetadas.

“Na cidade a chuva não foi forte. A maior parte foi na cabeceira do rio. No final da noite, quando estávamos resgatando as famílias na zona rural, a água desceu. Isso durou três ou quatro horas. A cidade ficou toda alagada”, contou o secretário de governo, Amilton Neutzling.

A Defesa Civil encaminhou colchões, cobertores, água potável e cestas básicas. O governador Tarso Genro anunciou que visitará São Lourenço nesta sexta, para avaliar os estragos. Pelo Twitter, o vice-governador Beto Grill, que já foi prefeito de São Lourenço, qualificou o evento como a maior catástrofe da história do município. “Nesta que é a maior catástrofe da história de São Lourenço do Sul, aproximadamente 50% da cidade está tomada pelas águas do Rio São Lourenço”, escreveu Grill, que coordena o trabalho na cidade.

Vizinha a São Lourenço, Turuçu também foi afetada, mas em menor grau. Duas pontes que ligam os dois municípios ficaram submersas. Rios e arroios transbordaram, interditando trechos da BR 116, entre Pelotas e Porto Alegre. Uma ponte sobre a rodovia foi destruída. Segundo o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (DAER), a ERS-265 também está interditada na localidade de Vila Boa Vista, em São Lourenço do Sul.

A Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) informou que o número de clientes sem luz chegou a 15 mil nas cidades de Turuçu e São Lourenço. No início da tarde, a empresa informou que o número de residências sem energia havia caído para 7,5 mil.

Outras cidades gaúchas também foram atingidas pela chuva nesta quinta-feira. Em Rio Grande, também na zona sul, foram registrados vários pontos de alagamento. A Universidade Federal de Rio Grande (FURG) cancelou as aulas do turno da noite.

Em Novo Hamburgo, na região metropolitana, o vento forte arrancou parte da estrutura metálica da arquibancada do estádio do Vale. No vale do rio Pardo, as cidades de Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires também tiveram alagamentos.

A Defesa Civil emitiu um alerta de que existem condições para que a sexta-feira siga registrado grandes volumes de chuva e vento forte nas regiões costeiras e nas cidades da zona sul do Estado.

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