Após vandalismo, prefeitura de Porto Alegre quer cercar parque

Parque da Redenção é um dos mais importantes da capital gaúcha e tradicional ponto de encontro dos moradores

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Polêmica que mobiliza Porto Alegre há décadas, o cercamento do parque da Redenção está de volta à pauta de prefeitura. A destruição de bancos antigos por vândalos nos últimos dias motivou a secretaria de Meio Ambiente a defender novamente o fechamento, à noite, do tradicional ponto de encontro dos portoalegrenses.

Sergio Louruz/Prefeitura de Porto Alegre/Divulgação
Bancos destruídos no parque da Redenção: vandalismo leva prefeitura a discutir, mais uma vez, se deve ou não cercá-lo
A Redenção, cujo nome oficial é Parque Farroupilha, tem uma área verde de aproximadamente 37 hectares (o equivalente a 37 campos de futebol) localizada na região central de Porto Alegre, entre os bairros Bom Fim e Cidade Baixa. Inaugurado em 1935, o parque é um ponto de encontro e lazer tradicional da cidade.

Morador da região do parque há 55 anos, Roberto Jackubascko ajudou a criar uma associação informal de freqüentadores há 32 anos. Desde aquela época ele já participa do debate sobre o cercamento da Redenção, que já teve até a realização de consultas populares.

“Sou um cidadão, por isso, obrigatoriamente contra. Sempre fomos contra o cercamento. O parque nasceu livre, foi concebido para ser livre e aberto”, afirma Jackubascko, hoje presidente do conselho de usuários da Redenção.

O debate foi retomado nesta semana, depois que bancos antigos do “recanto oriental” foram danificados em ações de vandalismo. O secretário municipal do Meio Ambiente, Luiz Fernando Záchia, foi quem voltou a levantar a possibilidade de erguer cercas ao redor do Parque da Redenção.

“Podemos aumentar o número de câmeras de vigilância ou de guardas municipais, o que é caro. O cercamento é uma alternativa viável, mas tem que ser construída com a comunidade”, afirma Záchia.

De acordo com a secretaria, seis câmeras fazem a vigilância de todo o parque. Dos 38 monumentos existentes, apenas o Monumento ao Expedicionário, vigiado por duas câmeras, não está pichado ou danificado. A Polícia Militar e a Guarda Municipal faz rondas noturnas, mas a avaliação é de que falta segurança no parque. “Isso tem um custo. As pessoas deixam de usufruir de um espaço em melhores condições”, avalia o secretário.

Záchia diz que está levantando informações sobre os custos de um eventual cercamento. Ele descarta, no momento, uma consulta à população. A primeira medida será chamar entidades diretamente envolvidas com a Redenção, como o conselho de usuários, cujo presidente é contrário à proposta.

“Isso é coisa de quem não tem o que fazer. Eles cobram imposto do cidadão e não oferecem segurança. A população não pode ser prejudicada”, afirma Roberto Jackubascko.

Ricardo Stricher/Prefeitura de Porto Alegre/Divulgação
Vista área do parque da Redenção, um dos mais importantes da capital gaúcha

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