Após temporal, São Lourenço do Sul conta suas perdas e pede ajuda

Cidade no Rio Grande do Sul tem 7 mortos e 1 desaparecido. Moradores do município precisam de água, comida e roupas

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Depois de passar a quinta-feira parcialmente embaixo d’água, a cidade gaúcha de São Lourenço do Sul, situada às margens da Lagoa dos Patos, a cerca de 200 quilômetros de Porto Alegre, começa a se reconstruir nesta sexta-feira. As equipes de resgate auxiliam moradores das áreas mais atingidas, enquanto a prefeitura trabalha para arrecadar alimentos, roupas e colchões para os flagelados. A Brigada Militar (a Polícia Militar do Rio Grande do Sul) registrou até agora sete mortes e uma pessoa desaparecida.

AE
Desalojados dividem espaço em salão da Igreja matriz de São Lourenço do Sul (RS), que decretou estado de calamidade pública por causa das chuvas

A enchente aconteceu depois da forte chuva registrada na cabeceira do rio São Lourenço na noite de quarta-feira. A prefeitura usou as rádios locais para pedir aos moradores que deixassem suas casas. De acordo com os relatos da população, em pouco mais de três horas a cidade já estava alagada. A estimativa é de que 15 mil residências tenham sido atingidas. A prefeitura decretou estado de calamidade pública no município.

De acordo com o major Eduardo Amorim, do serviço de comunicação social da Brigada Militar, o número oficial até agora é de sete pessoas mortas, além de uma que está desaparecida. Na quinta, a corporação havia divulgado o número de oito mortes. As equipes mantêm o trabalho de resgate e auxílio a moradores de áreas de difícil acesso. “A água baixou um pouco e o nosso pessoal está percorrendo a região. Existem pessoas que estão em áreas onde o acesso é mais difícil”, explica.

Donativos

Um gabinete de crise formado pela prefeitura local, pela Defesa Civil e por órgãos de segurança pública começa a trabalhar nesta sexta. Ao todo, 150 policiais militares assumiram a segurança da cidade. A praça central da cidade está funcionando como uma base de comando, onde a população leva informações sobre pessoas desaparecidas e que precisam de resgate. A distribuição de alimentos, roupas e colchões está sendo feita no estádio do Esporte Clube São Lourenço.

O secretário de Agricultura do município, Gilmar Ludke, diz que a prioridade da prefeitura agora é arrecadar donativos, principalmente colchões e roupas. “O povo não tem onde dormir. Além de perderem suas coisas, as roupas estão todas encharcadas”, relata. Cerca de 350 pessoas permanecem em seis abrigos. A prefeitura trabalha para reunir informações sobre estragos nas residências e na infraestrutura do município.

Nesta sexta, a Defesa Civil abriu um posto de arrecadação de donativos no armazém A7 do cais do porto em Porto Alegre. Órgãos como a Assembleia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de Grêmio e Internacional, também recebem doações. A prefeitura de São Lourenço abriu duas contas bancárias especialmente para receber doações (Banrisul, agência 0870, conta 04.029179.0-7 e Caixa, agência 0512, conta 006.269-3).

Estradas

A BR 116, que liga Pelotas a Porto Alegre, permanece interditada depois que a chuva arrastou parte de uma ponte no km 469. A previsão é de que a estrada seja liberada para o tráfego na próxima terça-feira. Enquanto isso, os motoristas estão sendo orientados a usarem desvios na região.

A deputada estadual Mirian Marroni (PT), moradora de Pelotas, criticou a empresa Ecovias, que administra a rodovia. Ela foi uma das pessoas que ficaram presas na BR 116 na manhã de quinta-feira e, segundo a deputada, os motoristas não foram informados sobre o bloqueio durante a passagem por uma das praças de pedágio. Segundo a assessoria de imprensa da Ecovias, todos os motoristas foram avisados dos problemas na rodovia desde a noite de quarta.

Outra rodovia que estava bloqueada, a ERS 265, entre Canguçu e São Lourenço do Sul, já foi liberada. Ela pode ser usada como desvio por veículos leves.

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