Cidade no Rio Grande do Sul tem 7 mortos e 1 desaparecido. Moradores do município precisam de água, comida e roupas

Depois de passar a quinta-feira parcialmente embaixo d’água, a cidade gaúcha de São Lourenço do Sul, situada às margens da Lagoa dos Patos, a cerca de 200 quilômetros de Porto Alegre, começa a se reconstruir nesta sexta-feira. As equipes de resgate auxiliam moradores das áreas mais atingidas, enquanto a prefeitura trabalha para arrecadar alimentos, roupas e colchões para os flagelados. A Brigada Militar (a Polícia Militar do Rio Grande do Sul) registrou até agora sete mortes e uma pessoa desaparecida.

Desalojados dividem espaço em salão da Igreja matriz de São Lourenço do Sul (RS), que decretou estado de calamidade pública por causa das chuvas
AE
Desalojados dividem espaço em salão da Igreja matriz de São Lourenço do Sul (RS), que decretou estado de calamidade pública por causa das chuvas

A enchente aconteceu depois da forte chuva registrada na cabeceira do rio São Lourenço na noite de quarta-feira. A prefeitura usou as rádios locais para pedir aos moradores que deixassem suas casas. De acordo com os relatos da população, em pouco mais de três horas a cidade já estava alagada. A estimativa é de que 15 mil residências tenham sido atingidas. A prefeitura decretou estado de calamidade pública no município.

De acordo com o major Eduardo Amorim, do serviço de comunicação social da Brigada Militar, o número oficial até agora é de sete pessoas mortas, além de uma que está desaparecida. Na quinta, a corporação havia divulgado o número de oito mortes. As equipes mantêm o trabalho de resgate e auxílio a moradores de áreas de difícil acesso. “A água baixou um pouco e o nosso pessoal está percorrendo a região. Existem pessoas que estão em áreas onde o acesso é mais difícil”, explica.

Donativos

Um gabinete de crise formado pela prefeitura local, pela Defesa Civil e por órgãos de segurança pública começa a trabalhar nesta sexta. Ao todo, 150 policiais militares assumiram a segurança da cidade. A praça central da cidade está funcionando como uma base de comando, onde a população leva informações sobre pessoas desaparecidas e que precisam de resgate. A distribuição de alimentos, roupas e colchões está sendo feita no estádio do Esporte Clube São Lourenço.

O secretário de Agricultura do município, Gilmar Ludke, diz que a prioridade da prefeitura agora é arrecadar donativos, principalmente colchões e roupas. “O povo não tem onde dormir. Além de perderem suas coisas, as roupas estão todas encharcadas”, relata. Cerca de 350 pessoas permanecem em seis abrigos. A prefeitura trabalha para reunir informações sobre estragos nas residências e na infraestrutura do município.

Nesta sexta, a Defesa Civil abriu um posto de arrecadação de donativos no armazém A7 do cais do porto em Porto Alegre. Órgãos como a Assembleia e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), além de Grêmio e Internacional, também recebem doações. A prefeitura de São Lourenço abriu duas contas bancárias especialmente para receber doações (Banrisul, agência 0870, conta 04.029179.0-7 e Caixa, agência 0512, conta 006.269-3).

Estradas

A BR 116, que liga Pelotas a Porto Alegre, permanece interditada depois que a chuva arrastou parte de uma ponte no km 469. A previsão é de que a estrada seja liberada para o tráfego na próxima terça-feira. Enquanto isso, os motoristas estão sendo orientados a usarem desvios na região.

A deputada estadual Mirian Marroni (PT), moradora de Pelotas, criticou a empresa Ecovias, que administra a rodovia. Ela foi uma das pessoas que ficaram presas na BR 116 na manhã de quinta-feira e, segundo a deputada, os motoristas não foram informados sobre o bloqueio durante a passagem por uma das praças de pedágio. Segundo a assessoria de imprensa da Ecovias, todos os motoristas foram avisados dos problemas na rodovia desde a noite de quarta.

Outra rodovia que estava bloqueada, a ERS 265, entre Canguçu e São Lourenço do Sul, já foi liberada. Ela pode ser usada como desvio por veículos leves.

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