Após negociação e crítica de Tarso, MST promete deixar fazenda

Governador gaúcho manda equipe negociar com sem-terra, a quem criticou. Ele disse que "não tinha nenhuma necessidade" de invasão

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Depois de uma reunião com integrantes do governo gaúcho, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) prometeu deixar na manhã desta quarta uma fazenda localizada em São Borja, na fronteira com a Argentina. O governo se comprometeu a depositar o valor para a liberação da área, cuja desapropriação aconteceu há dez anos.

Foi a primeira invasão de terras do MST realizada no governo de Tarso Genro (PT). Cerca de 250 integrantes do movimento entraram na área de 1,2 mil hectares (equivalente a 1,2 mil campos de futebol), desapropriada ainda no governo do Olívio Dutra (PT), em 2001. No local, poderiam ser assentadas cerca de 54 famílias de agricultores.

O secretário de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo, Ivar Pavan, se reuniu com os sem-terra nesta terça em São Borja e manifestou o interesse do governo em depositar os recursos necessários para a aquisição da propriedade. “Levamos a posição do governo de adquirir a área para a criação de um assentamento o mais breve possível. Temos pressa de construir uma solução negociada”, afirmou Pavan.

Após a reunião, o MST se comprometeu a desocupar a área na manhã desta quarta. Neiva dos Santos, uma das coordenadoras do movimento no Estado, disse que as famílias permanecerão em alerta. “Vamos dar uns dias para o governo resolver a situação da área. Se não resolver, vamos voltar a se mobilizar”, prometeu. O MST pede o assentamento de aproxidamente mil famílias de sem terra que vivem em acampamentos no Rio Grande do Sul.

Desapropriada há dez anos, a área nunca foi liberada em virtude de uma disputa judicial, na qual o proprietário pedia a revisão do valor. Segundo Ivar Pavan, o valor final a ser pago pelo governo ainda deve ser recalculado pela Justiça.

Mais cedo, o governador Tarso Genro criticou a invasão do MST, a primeira em seu governo. “Não tinha nenhuma necessidade, bastaria pedir pressa no processo de desapropriação que teríamos tomado todas as providências”, reclamou, durante um seminário realizado no Ministério Público. Tarso Genro ainda defendeu punição a eventuais envolvidos com casos de violência.

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