Após ameaças, escola pede que pais deixem filhos em casa

Segundo a polícia do Rio Grande do Sul, uma quadrilha de traficantes pretende matar um grupo de alunos do colégio

Daniel Cassol, iG Rio Grande do Sul |

Depois de virar alvo de uma quadrilha de traficantes, uma escola municipal da periferia de Porto Alegre decidiu recomendar aos pais que deixassem seus filhos em casa nesta sexta-feira. Um grupo realizou um protesto em frente à escola por mais segurança. Já a secretaria estadual de Educação decidiu criar um grupo para discutir medidas de prevenção à violência nas escolas gaúchas.

Temos quatro alunos afastados da escola e do bairro porque estavam sendo ameaçados. Para a segurança deles e dos demais, a gente orientou que eles se afastassem”, explica o vice-diretor da escola, Alcides Almeida

Pais de alunos da escola municipal Alberto Pasqualini, localizada no bairro Restinga, na zona sul de Porto Alegre, decidiram protestar nesta sexta-feira depois que quatro estudantes passaram a sofrer ameaças de uma quadrilha de traficantes da região. A escola não suspendeu as aulas, já que muitos alunos não teriam onde passar o dia, mas a orientação aos pais foi para deixar as crianças em casa.

“Não sabemos o que está acontecendo. Temos quatro alunos afastados da escola e do bairro porque estavam sendo ameaçados. Para a segurança deles e dos demais, a gente orientou que eles se afastassem”, explica o vice-diretor da escola, Alcides Almeida.

Segundo o tenente-coronel João Godói, comandante da Polícia Militar na região, um jovem que havia estudado na escola em 2006 foi assassinado por uma quadrilha de traficantes no dia 2 de abril. Suspeita-se que a mesma quadrilha estaria atrás de amigos dele.

Uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação nesta sexta definiria ações para o aumento da segurança na escola. A comunidade pede a volta de um Guarda Municipal, que não é mantido na escola há um ano e meio. O policiamento na região foi reforçado.

“A partir desse fato no Rio, redobramos nosso cuidado com a comunidade escolar, com visitas às escolas, policiamento e abordagens. Potencializamos as ações preventivas”, diz o tenente-coronel Godói, fazendo referência ao massacre na escola carioca ocorrido na semana passada.

Política de prevenção

Nesta semana, Porto Alegre registrou dois casos de alunos portando armas de fogo no mesmo dia. Na manhã de terça, um adolescente de 14 anos , estudante de uma escola municipal, foi preso carregando uma pistola na mochila. Ao juizado de menores, ele disse que estava sofrendo ameaças e queria se proteger. Na tarde do mesmo dia, um estudante de 16 anos foi pego em uma escola estadual com uma submetralhadora de fabricação israelense e de uso restrito no Brasil. Ambos já foram punidos com medidas sócioeducativas.

Nesta quinta, a secretaria estadual de Educação anunciou uma série de iniciativas para combater a violência nas escolas gaúchas. Segundo a secretaria, a medida já estava sendo discutida há um mês e não tem relação direta com os casos registrados nesta semana.

Segundo o diretor-adjunto da secretaria, José Thadeu de Almeida o trabalho visa à conscientização dos alunos. Ele acredita que grades, câmeras de segurança ou presença de policiais não necessariamente resolveriam o problema de todas as escolas.

“A ideia é constituir comitês comunitários de prevenção à violência na escola. Pretendemos diagnosticar as razões para a escola refletir algum nível de violência”, diz Almeida.

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