O advogado da família de Odilaine contesta autoria da carta e a versão de suicídio. Ele pediu a reabertura da investigação sobre a morte da mãe de Bernardo, em 2010

Bernardo e a mãe em foto usada durante velório do menino
Jader Benvegnú/Futura Press
Bernardo e a mãe em foto usada durante velório do menino

Marlon Taborda, o advogado da família de Odilaine Uglione, mãe do menino Bernardo, pediu à Justiça de Três Passos a reabertura da investigação sobre sua morte, ocorrida em fevereiro de 2010. Ele contesta a versão de suicídio e aponta divergências entre os laudos periciais e falhas no inquérito. Taborda afirma inda que a suposta carta deixada por Odilaine pouco antes de sua morte não teria sido escrita por ela.

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Segundo o advogado, há um erro na grafia da assinatura. “Não sabemos as circunstâncias em que foi escrita a carta, se a Odilaine foi forçada, coagida ou até se outra pessoa escreveu”, disse Taborda ao jornal Zero Hora. Na carta, Odilaine diz que “perdeu o chão” quando o marido, o médico Leandro Boldrini, pediu a separação. Ela diz estar “lúcida e consciente” e acusa Boldrini de ter destruído sua família, seus sonhos e sua vida. “Eu cresci sem pai e não queria que meu filho passasse por isso... Já que me foi tirada minha família, que eu tanto sonhei em construir... prefiro partir”, afirma o texto.

Bernardo é enterrado ao lado da mãe no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria (RS)
Jader Benvegnú/Futura Press
Bernardo é enterrado ao lado da mãe no Cemitério Ecumênico Municipal de Santa Maria (RS)


O menino Bernardo Boldrini, de 11 anos, foi encontrado morto em 14 de abril, dez dias após desaparecer, enterrado em uma mata na cidade de Frederico Westphalen, que fica a 80 quilômetros de Três Passos, onde a família reside. Desde o dia em que o corpo de Bernardo foi descoberto, o pai, a madrasta e uma amiga dela - a assistente social Edelvânia Wirganovicz, que teria ajudado a ocultar o corpo - estão presos. A última vez em que Bernardo foi visto, no dia 4 de abril, ele estava no carro da madrasta.

Veja a íntegra da carta supostamente deixada pela mãe de Bernardo

Três Passos - 9 de fevereiro de 2010

Eu Odilaine Uglione, lúcida e consciente dos meus atos venho por meio desta carta esclarecer os motivos que me levaram a tomar esta atitude. Meu pai, faleceu, minha mãe tem diversas doenças cardíacas graves que podem matá-la a qualquer momento; não tenho irmãos. Sou sozinha. Casei com o Leandro com 21 anos, éramos pobres mesmo. Levamos 10 anos para adquirir o que temos.

Na sexta-feira, dia 4/2, eu fiquei com medo de dormir sozinha e fui dormir com meu marido no hospital onde ele fazia plantão. Dormimos, namoramos, ele disse que me amava e me admirava e que nunca iria me abandonar. No domingo eu lhe pedi que largasse o plantão, pois eu tinha medo de dormir sozinha. Ele, então, pediu a separação. Perdi meu chão.

Depois de 11 anos vivendo exclusivamente para minha família. Leandro, tu destruiu a minha família, meus sonhos, minha vida. O que é uma pessoa sem família? Eu cresci sem pai e não queria que meu filho passasse por isso... Já que me foi tirada minha família, que eu tanto sonhei em construir... prefiro partir... do que ver meu filho nas mãos de outras mulheres, meu amor em outros braços. Sem minha família não fico.

Peço, Leandro, que cuide bem do nosso filho, eu estarei sempre ao lado dele. Não precisas mais advogados pra ti ficar com a casa, carro, moto como tu queria. Fique com tudo e faça bom proveito. Já que isso é + importante que a família. Amo minha mãe sobretudo. Amo a Clarrisa e sua família. Cuidem bem do Bê!!!

* Favor cuidar meus tão amados animais até o fim da vida deles. Pois eles foram meus grandes companheiros. Fiquem com Deus.

Odilaine Uglione

09/02/2010

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