Paralisação de rodoviários prejudica 25 mil pessoas em Porto Alegre

Por Agência Brasil | - Atualizada às

compartilhe

Tamanho do texto

Interrupção foi motivada por “questões trabalhistas”, relativas a descontos dos dias parados durante greve

Agência Brasil

Cerca de 25 mil usuários do transporte público de Porto Alegre foram prejudicados hoje (7) pela paralisação de trabalhadores de duas empresas que atendem à região sul da cidade: a Trevo e a VTC. A estimativa é da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), entidade ligada à prefeitura e responsável por gerenciar o transporte público na capital gaúcha.

De acordo com a EPTC, as duas empresas atendem a cerca de 80 mil passageiros durante o horário de pico da manhã. “Fizemos um trabalho de remanejamento de ônibus de outros consórcios para suprir emergencialmente a falta de atendimento. Além disso, liberamos o transporte de passageiros em pé, nas vans que já tinham autorização prévia da prefeitura. Elas geralmente só transportam passageiros sentados”, informou o assessor da EPTC Cláudio Furtado.

“Mesmo com essas frentes de ações, estimamos que 25 mil usuários sofreram algum tipo de prejuízo durante o pico da manhã”, acrescentou o porta-voz da EPTC. Segundo ele, a paralisação foi motivada por “questões trabalhistas”, relativas a descontos dos dias parados durante a greve que ocorreu entre os dias 27 de janeiro e 10 de fevereiro, e também pela demissão de funcionários e insatisfações com o plano de saúde oferecidos pelas empresas.

Segundo a Associação dos Transportadores de Passageiros (ATP), entidade que representa as empresas prestadoras do serviço de transporte público, o protesto é contra o desconto dos dias parados e contra a demissão de um funcionário de cada empresa. “As duas demissões foram sem maiores traumas e sem justa causa. Ou seja, foram pagas as indenizações das parcelas recisórias”, disse o vice-presidente da ATP, Eloy Dias dos Reis.

“Quanto aos desconto dos dias parados, as empresas têm o suporte da liminar emitida pelo TRT4 (Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região]. Na ocasião, ainda que em carater liminar [e cujo mérito da decisão tem previsão de ser julgado por volta do dia 7 de abril], foram manifestadas, pela desembargadora, a abusividade e a ilegalidade da greve que prejudicou muitos cidadãos de Porto Alegre. As empresas estão se valendo dessa decisão em vigor e descontando apenas dois dias por mês, contados a partir de fevereiro”, informou Reis.

Durante a mesa de negociação – da qual participaram o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Porto Alegre, uma comissão eleita pelos trablhadores, além de representantes da ATP, do TRT, do Ministério Público do Trabalho (MPT), da EPTC e prefeitura de Porto Alegre – ficou decidido um aumento 7,5% no salário (o pleito inicial da categoria era 14%) e aumento do vale-refeição de R$ 16 para R$ 19 por dia trabalhado.

“Quanto ao plano de saúde, foi acordado que o aumento brutal dos valores cobrados pelas operadoras [55%] seria absorvido pelas empresas. Com isso, o plano foi mantido”, acrescentou Reis. A ATP diz que não pretende reabrir negociações sobre a decisão judicial que autorizou o desconto dos dias parados.

A reportagem tentou entrar em contato com o Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Porto Alegre. Até o fechamento da matéria, ninguém atendeu às ligações telefônicas.

Leia tudo sobre: paralisaçãorodoviáriosporto alegre

compartilhe

Tamanho do texto

notícias relacionadas