Parentes e amigos se reuniram em frente à boate para homenagear os 242 jovens mortos no incêndio

Familiares e amigos dos 242 mortos durante o incêndio na boate Kiss marcaram um ano da tragédia com uma vigília que se estendeu pela madrugada desta segunda-feira (27). 

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'Parecia que eu estava respirando fogo', conta sobrevivente

Socorridos ainda tossem e expelem fuligem

Os participantes da vigília reclamam da falta de punição aos responsáveis pela tragédia. Ao longo de um ano, mais de 90 sobreviventes testemunharam e 24 audiências foram realizadas, o que resultou em processo de 11 mil páginas na 1ª Vara Criminal da Comarca de Santa Maria.

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Apesar da enorme quantidade de trabalhos e informações, não há previsão de quando os responsáveis irão a julgamento. Os quatro principais acusados seguem em liberdade.

Sob a chuva fina, os participantes do ato se emocionaram. O comerciante Eliton Lopes segurou as lágrimas pela morte da filha Evelin Lopes, de 19 anos. Descrente, ele acredita que os culpados não serão punidos. Ao lembrar da jovem, desabafou: "dói muito. É uma ferida que não vai cicatrizar nunca. Vamos continuar pedindo justiça, mas acho que só a justiça de Deus vai resolver".

Mas o presidente do movimento, Flávio da Silva, discorda. Para ele, os responsáveis pela tragédia serão culpados desde que a população continue pressionando os poderes públicos. "Temos que fazer atos como este para que esse o assassinato em massa não caia no esquecimento. Precisamos honrar a memória dos nossos filhos."

Os sobreviventes ainda convivem com as consequências da tragédia . Alguns deles até hoje ainda tossem e expelem fuligem. Socorridos em estado grave perderam a potência da voz, se cansam com apenas poucos passos e relatam gosto de 'borracha queimada' na boca. 

Durante todo o dia, haverá homenagens pela cidade. O prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, decretou luto oficial nesta segunda-feira. O expediente interno nos serviços municipais será reduzido em uma hora, encerrando às 15h. Já o atendimento ao público não será alterado, com expediente das 7h às 13h.

A tragédia ocorreu na madrugada de 27 de janeiro de 2013, às 3h17, quando uma fagulha de um sinalizador usado pela banda em show pirotécnico chegou ao teto da casa noturna e queimou a espuma de revestimento acústico. O fogo se alastrou rapidamente e gerou uma fumaça formada por monóxido de carbono com cianeto que matou 242 pessoas, todas por asfixia. O desastre ainda deixou, até o momento, 623 feridos. O inquérito foi feito pela Polícia Civil em 54 dias e tem 13 mil páginas, divididos em 52 volumes, já que mais de 810 depoimentos foram colhidos.

* Com Agência Brasil


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