Ministério Público investiga mais suspeitos de adulterar leite no RS

Por Agência Estado |

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Depois da divulgação da Operação Leite Compen$sado, promotores receberam denúncias anônimas de que o esquema de adulteração pode ter sido maior do que o descoberto

Agência Estado

O Ministério Público do Rio Grande do Sul deve ampliar a investigação da fraude do leite e pode pedir a prisão de mais envolvidos com a irregularidade nos próximos dias. As duas possibilidades passaram a ser admitidas por promotores ligados ao caso. Depois da divulgação da Operação Leite Compen$sado, na quarta-feira passada (08), eles receberam denúncias anônimas de que o esquema de adulteração da bebida pode ter sido maior do que o descoberto até agora.

A operação: Operação prende 8 acusados de adulterar leite no RS; empresa é interditada
Desdobramento: Governo do RS retira outras marcas de leite do mercado

As investigações já feitas indicam que alguns dos transportadores que compravam leite dos produtores para revender a bebida à indústria adicionavam água para aumentar o volume e, para compensar a perda nutricional, acrescentavam ureia, produto que contém formol em sua composição e, por isso, é considerado cancerígeno pela Organização Mundial da Saúde. Conseguiam, com isso, aumentar o faturamento em até 10%. Os lotes que continham leite adulterado e já estavam distribuídos em caixinhas pela indústria foram recolhidos antes mesmo de a operação ser conhecida do público.

Das nove pessoas presas preventivamente durante a operação, duas foram liberadas no mesmo dia, depois de prestarem depoimento. Outras seis, do chamado "Núcleo de Ibirubá", ficaram presas em Soledade. Nos depoimentos, na sexta-feira (10), cinco delas ficaram caladas. Um empresário se manifestou para alegar que é inocente e se limitava a transportar o leite, sem ter conhecimento de qualquer adulteração.

Nesta segunda-feira (13), o promotor Mauro Rockembach tomou o depoimento do empresário Leandro Vicenzi, de Guaporé, onde haveria um segundo "núcleo" da fraude, que também negou cometer ou conhecer a prática de irregularidades. Alegando ter colhido novas evidências, o Ministério Público vai pedir novamente que a Justiça emita mandado de prisão preventiva contra um suspeito de um terceiro "núcleo", de Horizontina. A primeira solicitação, feita com as demais, foi negada.

Rockembach vai passar a terça-feira (14) analisando as informações já colhidas e preparando a denúncia da fraude para encaminhá-la à Justiça na quinta-feira. É provável que os envolvidos sejam acusados de crime hediondo de corrupção de produtos alimentícios.

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