O advogado de Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, tinha protocolado o pedido no dia 15 deste mês, mas juiz concordo com Ministério Público

Agência Estado

Incêndio causado por banda matou 241 pessoas
Mauricio Barbosa/Futura Press
Incêndio causado por banda matou 241 pessoas

A Justiça do Rio Grande do Sul negou o pedido de liberdade solicitado pela defesa de Marcelo de Jesus dos Santos, vocalista da banda Gurizada Fandangueira, um dos réus no processo do incêndio da boate Kiss, que matou 241 pessoas no final de janeiro, em Santa Maria.

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A solicitação foi protocolada no dia 15 deste mês, pelo advogado do músico, Omar Obregon. O MP se manifestou contrário à liberdade, alegando que "a prisão do acusado foi decretada para a garantia da ordem pública, situação que permanece inalterada até o presente momento".

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Em seu despacho nesta sexta-feira (26), o juiz da 1ª Vara Criminal de Santa Maria, Ulysses Fonseca Louzada, concordou com os promotores. Além disso, solicitou à administração da Penitenciária Estadual de Santa Maria, onde Santos está preso desde 28 de janeiro, dia seguinte à tragédia, que esclareça uma possível restrição de acesso encontrada pelo advogado do músico a seu cliente. 

Santos foi indiciado por homicídio com dolo eventual qualificado por asfixia, incêndio e motivo torpe. Na segunda-feira (29) se encerra o prazo para que as defesas dos réus se manifestem à Justiça.

O caso

A tragédia ocorreu na madrugada de 27 de janeiro, às 3h17, quando uma fagulha de um sinalizador usado pela banda em show pirotécnico chegou ao teto da casa noturna e queimou a espuma de revestimento acústico. O fogo se alastrou rapidamente e gerou uma fumaça formada por monóxido de carbono com cianeto que asfixiou 241 pessoas.

Concluído no final de março, o inquérito responsabilizou 28 pessoas, direta ou indiretamente, pelo incêndio na boate Kiss. Dessas, 16 foram indiciadas criminalmente, incluindo os donos da casa, integrantes da banda que fazia show e bombeiros que vistoriaram o local.

O inquérito também relaciona outras 12 pessoas, como outros bombeiros, secretários municipais e o prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), por indícios de prática de crimes ou irregularidades. Eventuais processos contra elas, no entanto, correrão em foro específico - no caso do prefeito, a 4.ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça.



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