Necropsia das 234 vítimas daquela noite revelam que todas as mortes ocorreram da inalação de cianeto e monóxido de carbono gerados pela queima do revestimento acústico da boate

A legista-chefe do Departamento Médico Legal (DML) de Santa Maria, Maria Ângela Zuchetto, entregou, nesta sexta-feira (15), à Polícia Civil do Rio Grande do Sul 222 laudos de necropsia das vítimas do incêndio na boate Kiss , em 27 de janeiro deste ano. Mais de 240 pessoas morreram em decorrência da tragédia.

Confira o especial pela tragédia em Santa Maria
Veja as imagens feitas dentro da boate Kiss após incêndio
Infográfico: Veja como aconteceu o incêndio na boate em Santa Maria

Perita entrega laudos aos delegados do caso
Divulgação/Polícia Civil
Perita entrega laudos aos delegados do caso

Os 222 laudos se juntam a outros doze, que já haviam sido entregues, chegando a 234 vítimas que morreram no dia do incêndio. Segundo o DML, os laudos confirmam que todas as mortes ocorreram pela inalação de cianeto e de monóxido de carbono, componentes da fumaça gerada pela queima da espuma que fazia o revestimento acústico da boate.

Outras sete pessoas que estavam na casa noturna morreram posteriormente, em hospitais, elevando o número de óbitos para 241. Dos 145 feridos que necessitaram de internação, 126 tiveram alta e 12 continuam em tratamento em hospitais de Santa Maria e Porto Alegre.

Mais: Saiba como é uma casa noturna segura

O delegado Marcelo Arigony, da equipe que investiga o caso, já havia dito que os primeiros laudos confirmaram as informações preliminares de especialistas de diversas áreas. Na madrugada da tragédia, centenas de frequentadores da boate inalaram os gases tóxicos gerados pela queima da espuma de revestimento da casa noturna enquanto tentavam sair. Muitos deles caíram desacordados em poucos minutos.

Coluna: Justiça Federal reunirá parentes de vítimas da boate Kiss

O incêndio foi provocado pela fagulha de um artefato usado em show pirotécnico pela banda Gurizada Fandangueira. Os extintores não funcionaram. Não havia sinalização de emergência nem saída de emergência. Houve tumulto e muitas pessoas não conseguiram chegar à única porta para a rua.

Os laudos técnicos são uma das últimas etapas do inquérito. Havia a previsão de que a investigação terminaria nesta sexta-feira, mas a conclusão foi adiada para a segunda metade da semana que vem. Faltam ainda o laudo de análise da espuma de revestimento que, ao queimar, gerou a fumaça tóxica e os depoimentos de algumas testemunhas e do empresário Elissandro Spohr, um dos sócios da Kiss, marcado para a tarde de sábado (16).

O chefe da Polícia Civil do Estado, delegado Ranolfo Vieira Júnior, disse que os delegados que investigam o caso já têm convicções sobre os indiciamentos, mas não divulgarão nomes antes de remeter o inquérito ao Judiciário.

Dois proprietários da Kiss, Spohr e Mauro Hoffmann, e dois integrantes do conjunto musical, Marcelo de Jesus dos Santos e Luciano Augusto Bonilha Leão, estão presos preventivamente.A investigação policial está verificando se os quatro têm responsabilidade direta pelo desastre e também deve identificar eventual culpa de outros integrantes da banda, sócios formais da casa e agentes públicos, estes por falhas na emissão de alvarás e na fiscalização.

* com AE

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.