Quarta-feira foi marcada por lembranças e homenagens aos 239 jovens que morreram durante incêndio da boate Kiss, em Santa Maria, no dia 27 de janeiro deste ano

Agência Estado

Os 239 mortos no incêndio da boate Kiss foram homenageados em diversas manifestações e cultos religiosos nesta quarta-feira (27), quando a tragédia completou um mês , em Santa Maria (RS). A pedido da Associação dos Pais e Familiares das Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria (AVTSM), o tradicional minuto de silêncio foi substituído por um "minuto do barulho", que serviu tanto para lembrar que os mortos viviam uma fase muito alegre de suas vidas quanto para advertir as autoridades que a sucessão de falhas que provocou o incêndio não pode mais ocorrer.

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População durante homenagem nesta quarta-feira em Santa Maria
Divulgação/Prefeitura
População durante homenagem nesta quarta-feira em Santa Maria

As primeiras homenagens foram feitas ainda na madrugada, diante dos escombros da casa noturna, por familiares e amigos que deixaram flores, cartazes e fotos no local. Mas foi às 8 horas que quase toda Santa Maria se mobilizou. Na praça Saldanha Marinho, no centro, cerca de 600 pessoas vestidas de branco, com fotos de filhos, irmãos e amigos perdidos na tragédia estampadas em suas camisas, puxaram uma salva de palmas que durou 15 minutos, e não apenas um, como estava programado, e foi acompanhada por pessoas nas sacadas, janelas e calçadas de diversos bairros da cidade.

O barulho das palmas foi acompanhado, ao mesmo tempo, pelo som dos sinos de todas as igrejas e pelas buzinas acionadas pelos motoristas ininterruptamente. O concentração na praça terminou com todos rezando a oração do "Pai Nosso". Diante dos hospitais também houve concentrações de pessoas e aplausos. Um grupo de jovens confeccionou adesivos com o desenho de um coração em vermelho e colou 239 deles - um para cada vítima - em espaços próximos à boate.

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Pai de Jennefer Ferreira, 22 anos, uma das vítimas da tragédia, e presidente da AVTSM, o comerciante Adherbal Alves Ferreira, 48 anos, repetiu diversas vezes que as mobilizações comandadas pela entidade tentam incentivar as famílias a retomar suas vidas. "Com esse barulho, fizemos uma homenagem à alegria com que eles viviam", afirmou, emocionado com a solidariedade que todos receberam. "Toda Santa Maria nos abraçou".

Além das homenagens do dia, estavam programadas outras duas para o início da noite. A primeira seria uma passeata denominada "Sair do Luto e Ir à Luta". A segunda uma missa na Basílica de Nossa Senhora Medianeira de Todas as Graças. Durante a tarde, três familiares de vítimas do incêndio que matou 194 pessoas na boate República Cromagnon em Buenos Aires, em 1994, chegaram a Santa Maria para prestar solidariedade às famílias das vítimas brasileiras.

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Feridos
A tragédia da boate Kiss ocorreu na madrugada de 27 de janeiro. Uma fagulha de um artefato usado em um show pirotécnico da banda Gurizada Fandangueira chegou ao teto e começou a queimar o revestimento de espuma da casa noturna. O fogo se espalhou rapidamente. A queima do material produziu gases tóxicos que mataram 234 pessoas no local e outras cinco, posteriormente, por causa dos ferimentos.

Das 145 pessoas que foram internadas por algum tempo, 22 permanecem em hospitais de Porto Alegre e Santa Maria sob cuidados médicos. Três delas ainda dependem de ventilação mecânica para respirar .


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