Material geralmente usado em estúdios de gravação para melhorar a acústica e não para evitar vazamento de ruídos, a espuma foi fixada no teto do palco da boate em julho

O delegado regional de Santa Maria, Marcelo Arigoni, disse nesta quinta-feira que foi a espuma fixada no teto da boate Kiss, e não o fogo, a principal causa da morte das 235 vítimas da tragédia. “Foi essa espuma que matou todo mundo”, disse ele pouco depois de uma análise preliminar feita por um perito.

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Interior da boate Kiss durante perícia realizada pela polícia, na cidade de Santa Maria
Mauricio Barbosa/Futura Press
Interior da boate Kiss durante perícia realizada pela polícia, na cidade de Santa Maria

A espuma é até agora o primeiro ponto de concordância entre a Polícia Civil e a defesa dos donos da boate. Ontem o advogado Jáder Marques, que representa o empresário Elissandro Spohr, o Kiko, também disse que a espuma era a principal causa da tragédia.

De acordo com o delegado, o contato das chamas de um sinalizador modelo sputnik usado pelo vocalista da banda Gurizada Fandangueira com a espuma do teto provocou a fumaça tóxica que matou as 235 pessoas e deixou mais de 70 em estado grave.

A espuma foi usada como tentativa de solucionar o problema de vazamento acústico que incomodava os vizinhos da boate. Desde 2011 os donos da Kiss e o Ministério Público trabalhavam em um termo de ajustamento de conduta (TAC) para resolver a questão do barulho.

O material, geralmente usado em estúdios de gravação para melhorar a acústica e não para evitar vazamento de ruídos, foi fixado no teto do palco em julho. Desde então não houve nenhuma vistoria por parte de bombeiros, prefeitura ou do próprio Ministério Público.

Segundo o delegado, o perito disse que na maioria das vezes a espuma é revestida com um líquido popularmente chamado “retardante” que evita a propagação rápida do fogo em casos de incêndio.

Na quarta-feira o advogado de Kiko Spohr disse que seu cliente não tinha conhecimento técnico sobre o assunto e contratou uma empresa de engenharia para planejar e executar a obra de adequação acústica. “A espuma é resultado da ineficiência do TAC”, afirmou o advogado.


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