Bolinha prestou depoimento à polícia e citou que cerca de 900 jovens estavam dentro da boate quando o sinalizador foi acionado. Afirmação contradiz versão de advogado da boate

O DJ Lucas Peranzoni, de 31 anos, o DJ Bolinha, que trabalhava na Kiss no dia da tragédia, confirmou à polícia que a casa noturna estava superlotada no momento do incêndio. Segundo ele, que tocava no local há cinco meses em todas as semanas, havia cerca de 900 jovens dentro da casa quando o sinalizador foi acionado. A Kiss tinha capacidade para 691 pessoas. 

Prefeito se antecipa a tragédia e diz: "Quem não fiscalizar deve perder mandato”
Confira a cobertura completa do iG sobre o incêndio em Santa Maria

"Creio que naquele momento não haveria mais que 900 pessoas", disse. O DJ foi questionado se poderia ter menos. "Acho difícil, tinha umas 900". Isso contradiz a versão de Jader Marques, advogado de Kiko Spohr, afirmou durante coletiva, na quarta-feira (30), que a casa teria no máximo 700 pessoas na hora do incêndio. Caso o número fosse superado, segundo Marques, a casa só permitia novas entradas após a saída de alguns jovens.

Veja as fotos da tragédia de Santa Maria: 

Bolinha concedeu entrevista aos jornalistas momentos depois de prestar depoimento na 1º Distrito Policial de Santa Maria, responsável pelas investigações do caso. Além de prestar esclarecimentos à polícia, o DJ participou de uma reconstituição nas dependências da boate ontem (30). Segundo ele, em menos de 15 segundos, após o sinalizador ser acionado, uma fumaça preta tomou conta repentinamente de toda a pista.

Delegado que investiga incêndio deixou férias e apura mortes de prima e alunos
Galeria: Saiba quem são as vítimas do incêndio em boate de Santa Maria
Infográfico: Saiba como aconteceu o incêndio na boate

Para o profissional, as vítimas enfrentaram dificuldades para deixar a casa porque a visibilidade "era praticamente zero". "Para quem não conhecia a casa era muito difícil sair, pra mim foi mais fácil porque conheço muito bem a boate. Era como se eu andasse no escuro dentro da minha própria casa". Tal afirmação do DJ poderia explicar o fato de muitas vítimas terem sido encontradas na entrada do banheiro da Kiss. 

Bolinha citou também que o extintor de incêndio que ficava dentro de sua cabine não pôde ser usado. Segundo ele, um colega chegou a pedir o extintor no início do fogo, mas nao teve tempo de tirar o instruimento do lugar para acinoar. O extintor ficava em baixo da mesa junto com equipamentos do DJ.

Pertences das vítimas

A movimentação no DP de Santa Maria foi grande nesta manhã. Além dos depoimentos, inúmeros familiares foram buscar os pertences dos seus conhecidos e familiares que morreram na tragédia. Os documentos e objetos recolhidos no incêndio estão sendo entregues aos parentes das vítimas. Muitas das bolsas das mulheres que estavam na tragédia continham apenas crachás e carteiras estudantis.

Foi o caso Estela Bastitela, que perdeu duas sobrinhas: Luisa Batistela Puttow, de 23 anos, e Paula Batistela Gatto, 19 anos. As irmãs foram encontradas mortas dentro da Kiss, no último domingo (27). Estela decidiu buscar as bolsas das meninas no lugar dos pais para poupá-los. "Eles (os pais) queriam vir, mas eu e meu marido decidimos preservá-los porque eles estão muito abalados emocionalmente."

Ana Paula Betega, madrinha de Daniela Betega Ahmad, de 19 anos, foi buscar a bolsa e os documentos da afilhada. Os pais de Daniela, segundo Ana Paula, não têm condições de ir até a delegacia. Questionada o que ela pretendia fazer com os pertences, ela caiu em prantos e disse: "É só mais uma lembrança."

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.