Abaixo-assinado contra impunidade reúne 5 mil adesões em menos de 8 horas no RS

Por Ricardo Galhardo - enviado a Santa Maria (RS) | - Atualizada às

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Habitantes de Santa Maria fizeram fila para aderir ao movimento que se autointitula apolítico, mas também tem como objetivo pressionar as autoridades locais

Passados cinco dias do incêndio na boate Kiss, a população de Santa Maria começa a pensar no futuro. Em menos de oito horas, um grupo de moradores instalado inicialmente em apenas uma mesa de plástico no centro da cidade conseguiu juntar mais de cinco mil adesões, cerca de 2% da população de Santa Maria, em um abaixo-assinado que tem um lema simples: não à impunidade, sim à prevenção.

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Wilson Dias/Agência Brasil
Milhares fizeram passeata em homenagem às vítimas que morreram no incêndio na boate Kiss

No período em que o iG acompanhou a coleta das assinaturas, nenhuma das centenas de pessoas que passavam na porta do clube Caixeiral se recusou a assinar o documento. Algumas delas faziam fila para aderir ao movimento que se autointitula apolítico, mas também tem como objetivo pressionar as autoridades locais.

“Não temos cunho político. Não apontamos culpados. Mas queremos usar este abaixo-assinado como instrumento para que as autoridades saibam o que a população de Santa Maria espera delas”, disse a professora universitária Lúcia Madruga, de 49 anos, uma das autoras da iniciativa junto com outras cinco mães de jovens estudantes.

Uma das vítimas do incêndio foi namorada do filho de Lúcia, Rodrigo, de 20 anos, que cursa medicina em Passo Fundo.

“Exigimos que quando o estad,o por meio de seus servidores não cumprir suas obrigações legais, sejam tomadas medidas de caráter administrativo, penal e civil contra tais servidores, inclusive com demissões justificadas, processos judiciais por crime de abuso de autoridade e omissão e processos civis por improbidade administrativa”, diz um trecho do manifesto.

Muitos dos moradores de Santa Maria que firmaram o abaixo-assinado condenavam ainda a guerra política entre governos estadual e municipal que permeou o processo pós-tragédia.

“É vergonhoso. Se uma pessoa não está preparada para assumir a responsabilidade, se acha que o peso é grande demais, não deveria nunca entrar para a vida pública”, resumiu o militar Nédio Maito, de 48 anos, um dos primeiros a assinar o documento.

O temor pela impunidade tem sido um dos principais temas de conversas entre os moradores da cidade. Desde terça-feira a fachada do que restou da Kiss foi pixada com a palavra “Justiça”. Também na terça-feira centenas de jovens tomaram as ruas do centro da cidade para pedir punição aos culpados pela tragédia.

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