Elaine Gonçalves perdeu dois filhos no incêndio da Kiss, em Santa Maria. O caçula Gustavo Marques, de 21 anos, teve morte cerebral confirmada ontem; número de mortos chega a 235

Familiares e amigos participam do velório do estudante Gustavo Marques, de 21 anos, que estava na festa Agromerados, na boate Kiss, em Santa Maria (RS), na madrugada de domingo (27). Marques, que teve 70% do seu corpo queimado internamente, foi a primeira vítima a morrer durante a internação hospitalar. Ele teve morte cerebral confirmada ontem (29) e o número de vítimas da tragédia foi então atualizado para 235 mortos .

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Elaine Marques Gonçalves, mãe do jovem que é seu filho caçula, enfrentou dor semelhante há apenas três dias. Seu outro filho, Deives Gonçalves, de 33 mortos, foi encontrado morto por asfixia dentro das dependências da boate Kiss. "Eu coloquei minha vida e dos meus filhos nas mãos de Deus. Toda vez que eles saíam (para festas) eu os abençoava e dormia. Muitos me perguntavam: 'Como você pode dormir sabendo que seus filhos estão na rua?'. Mas eu sempre coloquei a vida deles na mão de Deus", disse Elaine, que também perdeu o marido há dois anos.

A cerimônia do velório, que é realizada na capela do Hospital de Caridade, em Santa Maria, conta com a presença da familiares e amigos que citam os irmãos como "muito alegres e amantes de cavalos". Alguns companheiros de Gustavo e Deives chegaram a dizer que a dupla cogitava ir para outra festa naquela noite, no Clube do Coroa, mas decidiram ficar na Kiss.

Os irmãos estavam na casa norturna com um terceiro amigo, Bryan Vepenfield, que faz parte do grupo de 75 pessoas que continuam internadas em estado grave em hospitais da região. Ao receber um dos amigos mais próximos dos irmãos no velório, Elaine disse: "Você sabe que eu olhava feio para vocês, mas sempre tive muito carinho."

"A porta (da capela) vai ficar aberta. Tem muitos amigos aqui e eu preciso de todos. Só peço que a imprensa respeite o meu momento" disse a mãe aos jornalistas. Os dois deixaram um irmão e uma irmã. Segundo a cunhada deles, Simone Gonçalves, a família está recebendo apoio psicológico que deverá ser mantido nos próximos dias. "Veio uma moça (psicóloga) de Porto Alegre para nos acompanhar e vamos aceitar ajuda sim, principalmente para a Daniele (irmã), que está muito abalada", disse.

*com Agência Brasil

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