Jader Marques, defensor de Kiko Spohr, citou que bombeiros cometeram erros durante resgate em Santa Maria. Sobre alvará, ele disse que era problema 'meramente documental'

O advogado Jader Marques, que defente Kiko Spohr preso por envolvimento com a tragédia da boate Kiss, não economizou críticas ao Corpo de Bombeiros de Santa Maria, cidade do Rio Grande do Sul, pela atuação durante o incêndio. Segundo o defensor, "a ação foi desastrosa, infeliz e inoperante". Marques citou ainda que, além da ligação de um funcionário ao 193 não ter sido atendida, os bombeiros não usaram equipamentos apropriados e utilizaram civis durante o regaste.

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Em coletiva de imprensa, realizada nesta quarta-feira, o defensor apresentou a versão do sócio para os fatos e tentou eximir seu cliente de culpa e depositou na corporação as responsabilidades. "Um funcionário da boate ligou, por volta das 3 horas ao 193 e a ligação não foi atendida. Além de não utilizarem equipamentos apropriados para o salvamento das vítimas, colocaram o jato d'água na principal via de saída", disse Marques.

"Vi na imprensa que os funcionários da boate não estavam preparados em caso de emergência, pois nossos bombeiros também não estavam."

Alvará de funcionamento

Marques ainda comentou a situação administrativa da casa, que tinha um alvará de funcionamento operante (válido) . No entanto, o advogado admitiu que o Alvará de Prevenção e Proteção contra Incêndio (PPCI) - documentação fornecida pelos bombeiros - havia vencido em agosto de 2012. "O pedido de renovação foi feito, mas a vistoria final não foi realizada. Era um problema meramente documental".

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Segundo ele, ao notar que os extintores da casa estavam para vencer, Kiko teria contratado uma empresa para realizar uma revisão nos instrumentos. Na coletiva, Marques apresentou uma nota fiscal no valor de R$ 250 aos jornalistas confirmando a contratação.

Ele citou ainda que a escolha do revestimento não poderia ser responsabilidade do seu cliente. "Como ele não entendia do assunto, preferiu contratar engenheiros de uma empresa para fazer a adequação acústica da casa". O defensor comentou também a manutenção das câmeras de vigilância da casa noturna e apresentou uma declaração de uma empresa que confirmaria que os itens estão inoperantes há alguns meses. O documento foi entregue à polícia e, segundo Marques, reforçaria a versão de seu cliente de que não houve adulteração de provas.  

Superlotação e banda

Marques tentou inocentar Kiko também pela utilização irregular sinalizador dentro da boate. Segundo ele, o sócio não sabia que a banda Gurizada Fandangueira usaria o sinalizador durante um show. "A banda já tocou no local várias vezes e nunca usou o sinalizador. Ele não sabia que eles iriam fazer isso."

Até o momento, a Polícia Civil não conseguiu confirmar o lotação da boate Kiss durante a festa universitária Agromerados. No entanto, de acordo com o defensor, a dinâmica era manter no máximo 700 pessoas para que o ambiente ficasse agradável. Durante a noite toda, esse número poderia chegar até mil. "Domingo foi uma noite comum na casa, não foi aquele estouro que Kiko gostaria que fosse. Foi uma noite praticamente fraca (de público). "

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