Major do Corpo de Bombeiros citou que casa noturna Kiss estava preparada para fluxo de saída de 70 pessoas por minuto. "Isso seria suficiente desde que não houvesse obstáculos"

O comandante do Corpo de Bombeiro de Santa Maria, o major Gerson da Rocha Pereira, afirmou ao iG  nesta terça-feira que a boate Kiss, destruída pelo incêndio que matou 234 pessoas , cumpria todas os requisitos de segurança. Para Pereira, os pontos que ampliaram o número de mortos da tragédia foram a presença de obstáculos na porta de saída e a superlotação da casa notura.

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"O que pode ter causado a tragédia foi o excesso de população naquele local, a dificuldade de saída das pessoas e o uso do artefato em um ambiente repleto de material inflamável", disse. O major ainda comparou o sistema de segurança da boate Kiss com o fluxo sanguíneo do corpo humano. "Os obstáculos seriam a gordura que causam infarte e no caso de uma casa noturna impediu o fluxo de pessoas."

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Segundo Pereira, todas as exigências feitas no Estado do Rio Grande do Sul seguem a norma de seguranca nacional e a casa estava preparada para um fluxo de saída de 70 pessoas por minuto. "Isso seria suficiente desde que não houvesse obstáculos". A boate Kiss tinha capacidade para 691 pessoas, no entanto, há indícios que mais de 900 estudantes estavam no local durante a festa universitária 'Agromerados'. 

A força-tarefa da Polícia Civil, criada para investigar a tragédia, é chefiada pelo delegado Marcelo Arigony. Segundo o policial, durante coletiva de imprensa, a Prefeitura de Santa Maria também será investigada no caso. Nesta terça-feira, a polícia espera receber documentos da prefeitura que expliquem a situação da boate Kiss . Com isso, de acordo com o delegado, a polícia poderá chamar outros responsáveis para serem ouvidos. "A investigação vai ser reta e vai atingir quem tiver que atingir."

Forro irregular e tóxico

Durante coletiva nesta tarde, o major voltou a comentar sobre a competência do Corpo de Bombeiros em estabelecimentos com grande público. "Com relação ao revestimento e obstáculos que a casa tinha, nós não concordamos, mas não é de nossa competência. É assim que funciona". Ao ser questionado sobre quem seria responsável para notificar a casa sobre o forro irregular e tóxico (isolante acústico) , Pereira apenas disse "não sei".  

"O ideal seria ter 691 pessoas naquele lugar, não ter tantos obstáculos e não se usar material de pirotecnia em ambiente fechado. Casos que desrespeitam isso sempre acabam em incêndio, tumulto e morte", disse o major aos jornalistas. 

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